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S’il vous plait, Salvador

– Excusez-moi!

– Hã? Tá me xingando?

– Vous ne parlez pas français?

– Rapaz, você tá me tirando!

– Conseillers, obtenir ce mec là, il n’a pas le berceau

O pequeno diálogo reproduzido aí em cima é fictício, mas não me espantaria se, daqui a poucos anos, estejamos vendo-o sendo reproduzido aqui mesmo em Salvador, capital da Bahia. Quem são as pessoas? Um é o baiano que diz amar o povo, mas o quer amestrado, domesticado, reproduzindo regras e procedimentos que considera ser os mais apropriados. O outro é um baiano comum, que, agora, além de tudo tem que conviver com regras de etiqueta legais que querem enfiar goela abaixo a partir dos poderes públicos.

Vimos, recentemente, a deputada Luiza Maia (PT) propor a Lei Antibaixaria. Ali, apesar de todo discurso justo e bem fundamentado da parlamentar sobre a violência contra a mulher ser enaltecida em muitas daquelas letras, tinha por trás o preconceito contra manifestações populares (visto como grotescas, popularescas, etc), mas que são produtos das realidades culturais das pessoas que as cantam, dançam e consomem.

O projeto da petista acaba sendo mais branda do que a dos DJs de Buzu, porque se trata de proibir verba pública para financiamento do que o Estado vai considerar ser agressão a gays, negros e mulheres. Apesar de algumas peculiaridades dos argumentos da deputada terem sido de assustar. Por exemplo, nesta discussão, se Mário Lago estivesse vivo, sua Amélia (também produto de uma época) estaria proibida de ser tocada em festas públicas.

Pra quem não sabe, tramita na Câmara de Salvador um projeto que proíbe a execução de músicas em sons mecânicos pelos chamados DJs de Buzu. Pra mim, é o Estado querendo mudar, na marra, um hábito. Com este argumento, estou defendendo a falta de educação e o barulho nos ônibus? Obviamente, que não. Só quero saber até quando os políticos de cá e de lá vão preferir soluções simples do que ter a coragem de tomar soluções mais complexas.

Por que em vez de educar, dialogar, entender esses traços culturais que estão ao seu redor, nossos políticos e outros tantos, que nem perto de ônibus passam, preferem dizer o que seus usuários devem fazer sob pena de serem multados? Aposto que, se perguntarem, o que incomoda mais: o ônibus sem conservação ou os DJs de Buzu, a resposta vai ser, majoritariamente, a primeira opção. Sem contar, o fato de ser uma lei com toda a cara e jeito de ser inócua. Quem vai fiscalizar essa bagaça?

Sem contar que gente barulhenta tem em todo canto. Aqui, em minha casa, não consigo ver TV na sala direito por causa dos carros de som que passam a todo o momento. Vão proibir os carros de som? Nos ônibus, me incomodam na mesma medida que os DJs de buzu, os pregadores. Vão proibir os pastores de buzu? E as canetas dos camelôs que vêm falhando? Quero já uma lei anti-caneta que falha. Deixo com vocês, Riachão:

P.S: Isso é fruto da união surreal da esquerda marxista clássica, que nunca deu muita importância à cultura, achando-a mero reflexo de uma base econômica, com o elitismo cultural de direita, que vira o nariz para o que é popular. Entretanto, não faz mal reconhecer que educação não vem com punição pecuniária.

P.S²: Como admito as minhas ignorâncias, confesso que o diálogo descrito, no início desse texto, foi construído com a ajuda do Google Translate. Caso alguém tenha uma correção a fazer, agradeço.

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