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Referências da sociedade contemporânea

Estava eu assistindo o prêmio Multishow, na última segunda-feira, e me peguei fazendo algo ao qual me oponho sempre: comecei a questionar e condenar as referências de parte da adolescência atual. Não gosto da argumentação que utilizaram e ainda utilizam comigo de que o jovem não sabe nada, mas foi dureza ver que os premiados de agora são bandas ruins como Restart, Cine, entre outras.

Vê-las ganhando prêmios me faz concordar com Dinho Ouro Preto que afirmou que do lado destas bandas, NX Zero é música clássica. Nem discuto que, quando eu era adolescente, É o Tchan tinha sucesso, mas a gente não via a banda sendo premiada, porque (não sei se tínhamos esta consciência, na época, ou se foi algo que adquiri agora) sabíamos que aquilo não prestava.

Tenho certeza de que não acho isto sozinho. O prêmio, no entanto, é apenas um exemplo de toda uma realidade sócio-cultural do qual ele faz parte. Aplaude-se, constantemente, a mediocridade. Parte da sociedade contemporânea tem preferido ficar na superficialidade e esta é uma realidade que não está restrita a nenhuma faixa etária. Ganhar dinheiro é a meta e vejam que fujo da minha crítica inicial porque, realmente, acho que tudo está interligado.

O que, a meu ver, acontece é que, em parte da adolescência, esta superficialidade é realçada, porque tudo, nesta fase, ganha cores mais fortes. Não acredito, entretanto, que seja uma condição comum a todos os adolescentes ou pessoas da nossa sociedade. Mas, não tenho dúvidas que, para as pessoas as quais me refiro, os valores, as perspectivas, as referências são vazias. Tão vazias quanto uma música de Restart.

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  • Pingback: Eu ouço happy rock | abre parêntese (

  • http://twitter.com/bfernandes Breno Fernandes

    Mas, caro Nuco, entendo o ponto de sua crítica. Mas acho que você pecou no texto ao utilizar os coloridos isoladamente para falar do seu desgosto, que compartilho, para com essa predisposição a se deslumbrar e ser feliz que se tornou hegemônica. Entendo e está mais que justificado pelo fator do gancho (o Prêmio Multishow), mas, sem uma pertinente retrospectiva histórico-midiática deste processo que é repetitivo em certos aspectos (a luta pela hegemonia com determinas armas, em determinado setor) você só contribui para essa mixórdia a que me referi no post-resposta a este (http://abreparentese.com/2010/08/eu-ouco-happy-rock/). Inclusive, você tinha aí O instrumento para fazer isto, o É O Tchan, tanto pelo que representou nacionalmente, quanto por vir da Bahia, onde essa felicidade metida goela adentro alcança o clímax no Carnaval. Só bancando o advogado do diabo, nesta possível retrospectiva, que eu espero que se torne um post-suíte deste, eu cutucaria até os canônes da classe I (classe intelectualizada), essa mesma galera que ri daquele vídeo da confusão com os fãs do Restart mas vai madrugar na fila pra ver João Gilberto e faz aquela comoção escandolosa no Twitter pelo ingresso do Los Hermanos, he. No mais: http://www.youtube.com/watch?v=3-bA2QPiCMs — vem com a gente nessa vaibe.