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Rede Blogs – Eleições 2014: Entrevista Rodrigo Hita (PSB)

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Comprometidos com a valorização da política, da democracia e da compreensão das necessidades e demandas da sociedade brasileira Alex Hercog, Thiago Ferreira e Mailson Ramos, blogueiros e produtores de conteúdo, uniram seus sites com o intuito de entrevistar os candidatos aos cargos eletivos para o governo do Estado da Bahia, ao senado e a deputado estadual e federal. Foram enviadas perguntas para as assessorias de todos os partidos em disputa e as respostas serão gradativamente publicadas até o dia da eleição.

Pitacos do Manuca, o Opinião & Contexto e Blog do Kizumba, por suas características análogas em relação à publicação de artigos dos seus criadores e administradores resolveram criar uma rede de integração para divulgar as entrevistas e futuramente amplificar o relacionamento dos sites e das propostas de seus idealizadores. A Rede Blogs está no ar, tendo como principal objetivo democratizar o espaço de divulgação de propostas de todos os candidatos baianos, sem discriminação e com garantia de mesmo espaço para todos e, assim também contribuir para o eleitorado se informar e fazer a escolha que lhe for conveniente.

Seguimos em frente discutindo as demandas da sociedade brasileira e desempenhando, mesmo que em pequenas proporções, o nosso dever de cidadania.

Rodrigo Hita (PSB), candidato a deputado estadual

Rodrigo Hita (PSB), candidato a deputado estadual (foto: Divulgação)

Rodrigo Hita, candidato a deputado estadual, começou sua militância política na Juventude do PSB. Foi assessor da senadora Lídice da Mata e é primeiro-secretário do PSB da Bahia:

1. Quais os pontos positivos e negativos, o senhor destacaria dos 8 anos de governo Wagner?

A principal vantagem foi a mudança de postura no tratamento político com as diversas esferas de poder do estado. As relações do governo com o Judiciário, a Assembleia, as prefeituras, os movimentos sociais, e a sociedade como um todo, se dá num patamar de muito mais respeito do que se dava antes. A sensação é que antes não existia respeito às instituições democráticas no estado.
Além disso, é inegável o salto qualitativo que o estado deu em investimento na estrutura. Como exemplo, cito o forte investimento na recuperação e construção de novas estradas, e a construção, ainda deficitária, mas já um avanço, de novos hospitais, em especial no interior do estado.

Como pontos negativos, ressalto a dificuldade no diálogo com os servidores públicos, que resultou inclusive em três greves marcantes; a política de educação do estado, que avançou pouco; a falta de uma estratégia clara na segurança pública, que resultou num aumento expressivo tanto na criminalidade, quanto no número de mortes no estado; e por fim, a falta de criatividade do governo em produzir políticas públicas próprias, muitas vezes parecendo um gerente das políticas do Governo Federal.

2. Como o senhor avalia a política de cultura no estado, sobretudo ligado ao audiovisual? Como o seu mandato pode contribuir para ampliar a produção e acesso a bens culturais, e o reconhecimento da cultura como modo de vida?

O estado ainda investe muito pouco em cultura. Através da nossa senadora Lídice da Mata, temos defendido aumentar para 1,5% do PIB o investimento em cultura no país, e 1,5% do orçamento do estado. Tenho uma visão da cultura como instrumento de valorização e transformação social, e pretendo ser na Assembleia um dos interlocutores e defensores da política dos pontos de cultura.
Defendo também o incentivo à identificação de potencialidades e capacitação de nossos jovens na chamada economia criativa desde a escola. Isso só será possível em sua plenitude com escola em tempo integral.

Além disto, na área do audiovisual, passos importantes foram dados, mas a Bahia ainda está mal situada nacionalmente, e inclusive regionalmente. Hoje, a Bahia forma bons atores, mas ainda tem uma produção audiovisual frágil. Além de defender a abertura de novos editais com uma visão mais moderna da área, defendemos a valorização do Irdeb, que, voltando para a Secretaria de Cultura, e buscando uma autonomia financeira maior, pode vir a ser tornar um parceiro de fato importante para a produção audiovisual no estado.

Por fim, acho que o investimento nos festivais de cultura nas diversas regiões do estado tem ajudado a fortalecer e divulgar a cultura das nossas diversas regiões e a promover uma maior integração. Sendo assim, pretendo aprofundar a política de incentivo a eles.

3. As relações partidárias costumam ser previsíveis, com partidos de oposição votando contra o Governo e os de situação votando a favor, mesmo que determinado voto contradiga a história política do parlamentar. O senhor pretende agir com independência ou seguir a orientação partidária nas votações? Qual o limite da sua autonomia em relação ao seu partido?

Tenho minha trajetória construída juntos aos movimentos sociais do estado, sempre lutando com o meu partido para fortalecer as pautas dos trabalhadores. Meu partido tem uma história de respeito e lealdade aos interesses do povo da Bahia, e não me lembro de um episódio em que a posição do partido nas lutas do estado não tenha sido motivo de orgulho para mim.

O PSB, no entanto, busca ter uma posição coerente com a sua história nas votações de temas importantes na Assembleia, não sendo cegamente governista, nem cegamente oposicionista.

Acredito na organização através dos partidos políticos, acredito na importância dos partidos para a democracia, e acredito no partido que ajudo a construir.

4. Como o senhor avalia a política de acessibilidade no Estado e quais suas propostas para garantir os direitos das pessoas com deficiência?

Acompanho com muita atenção a luta por acessibilidade e inclusão dos portadores de necessidades especiais em nosso estado. Acredito que ainda falta muito a ser feito neste sentido, para garantir a cidadania plena a essas pessoas. Faltam escolas especializadas, preparação dos agentes públicos, acessibilidade em prédios públicos, e muitas coisas que se sucedem a estas políticas. No PSB, temos lideranças importantes do estado construindo este debate, como Milton Bezerra, Luiza Câmara e João Prazeres. Além deles, temos também o exemplo do nosso deputado federal Romário, que tem liderado as discussões sobre o tema no Congresso.

Tenho buscado me somar a todo este debate, e pretendo lutar pela implementação de uma rede de escolas “bilíngues” (onde se ensine também em libras e braile) para que os estudantes portadores destes tipos de necessidade possam se desenvolver integrados ao ambiente em que os demais estudantes convivem.

5. Os empreendimentos de Economia Solidária se queixam da burocracia para a formalização e da alta carga tributária, muitas vezes, superior a de empresas privadas. O senhor defende uma flexibilização nas leis de formalização desses grupos e isenção ou redução fiscal?

A criação de uma superintendência para desenvolver o tema no estado foi também um avanço nesse último governo, assim como uma lei específica voltada para o tema. Vejo as iniciativas dos empreendimentos solidários como uma alternativa importante para o desenvolvimento da economia das nossas cidades. Creio que qualquer medida que venha a incentivá-los e a desburocratizá-los será bem-vinda, em especial, as políticas de redução fiscal.

6. É a favor ou contra leis que combatam à homofobia?

Completamente favorável. É inaceitável que, em pleno século XXI, ainda tenhamos exemplos de ódio e intolerância na nossa sociedade. Falar numa sociedade livre e democrática é reconhecer, respeitar e fortalecer as nossas diversidades, sejam de credo, de raça, de sexualidade, ou qualquer outra.

Acredito que devemos não só estabelecer leis que punam a intolerância, como continuar lutando para ampliar os direitos da comunidade LGBT na Bahia e no Brasil.

7. Como enxerga a segurança pública do estado? Como se posiciona em relação à violência policial e a ações como a do caso Geovane?

Precisamos mudar muita coisa na área de segurança. Nossa candidata ao governo, a senadora Lídice da Mata, tem dito claramente que, na opinião dos socialistas, devemos seguir o exemplo pernambucano do “Pacto pela Vida”, compreendendo que falar em segurança pública não é só falar em ação policial, mas numa série de políticas públicas integradas, que visem a inclusão social.

Precisamos preparar melhor os nossos policiais, e valorizar mais a carreira. É inadmissível que abordagens truculentas, como a do “caso Geovane”, ainda sejam bastante comuns no nosso estado. Refletem também, em muitos casos, o despreparo do policial. Hoje, temos uma polícia mais preocupada em separar o rico do pobre, que em estabelecer uma cultura de paz. O resultado disso é o extermínio da nossa juventude.

Enxergo a desmilitarização como um caminho possível, mas não o único, visto que o tema é de uma complexidade grande. No entanto, o debate sobre a segurança será prioritário para estabelecermos uma nova cultura de paz na Bahia.

8. Em uma eventual disputa por áreas entre indígenas e produtores rurais, como a que ocorre em Buerarema, de que lado o senhor se posicionaria? Como enxerga essas disputas?

A maioria dos casos de demarcação de terras indígenas no país que ainda não foram julgados é justamente por que incluem uma complexidade maior. Não acredito que seja possível analisar todos os casos ainda não julgados pelo mesmo viés, pois todos eles têm especificidades importantes. O caso de Buerarema é um marco neste sentido por vários motivos. Basicamente, segundo a nossa Constituição, trata-se de um conflito entre direitos fundamentais, onde ambos os lados possuem legitimidade no processo. Portanto, sem dúvida, a solução tende a surgir de uma decisão refletida com base na ponderação. Grande parte da área reivindicada é urbana, além de muitos empreendimentos de pequeno e grande porte, bem como famílias de pequenos e grandes agricultores se estabeleceram há muitos anos na região.

Acredito que meu papel como deputado estadual deva ser lutar para que a segurança da população, indígena e não-indígena, esteja garantida. A preocupação central, portanto, deve ser para que o conflito que tramita na Justiça não seja acompanhado de conflitos bélicos, como, algumas vezes, tem acontecido. Além disso, acredito que o estado precisa garantir que nenhum dos envolvidos seja prejudicado com a demarcação e que a própria demarcação da terra, quando ocorrer, possa contribuir também para a economia da região, também capacitando os cidadãos indígenas para tal.

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