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Políticos x CQC no Congresso

Estava eu assistindo ontem a TV Câmara (sim, eu gosto, vejo como se estivesse assistindo à Sessão da Tarde) quando apareceu o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), aquele que “está se lixando” para a opinião pública cobrando do deputado Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, que tomasse medidas contra a equipe do CQC, programa que, segundo as palavras do parlamentar, “faz um jornalismo de gosto duvidoso”.

Chega a ser engraçado o deputado que não tá nem aí pra opinião pública se preocupar com a imagem dele no CQC. Moraes chegou a dizer à Folha que a base parlamentar dele o reelege independente da opinião dos meios de comunicação. Em vez de se preocupar com o CQC, o deputado deveria se preocupar com os colegas que ele defende. Afinal de contas, Moraes nem era um nome que aparecia na imprensa até defender o “dono do castelo”, agora quer censurar os repórteres do programa da Band.

Hoje, foi a vez do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pedir ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro secretário da Casa legislativa que casse a licença da equipe do CQC por tê-lo chamado de dinossauro e que isto é uma afronta à imagem do Senado. Eis uma declaração que me dá medo, porque as pessoas no Brasil estão com uma tendência de misturar a imagem da pessoa que está a frente de uma instituição com a imagem da própria instituição. Neste mesmo erro, incorreu o presidente do STF, Gilmar Mendes, misturando alhos com bugalhos.

Se esta regra valesse, os políticos brasileiros não poderiam reclamar caso o presidente Lula mandasse fechar a redação da revista Veja que, através de suas reportagens e colunas, em especial a de Diogo Mainardi e a de Reinaldo Azevedo, promove um verdadeiro achincalhe da figura do presidente da República, chamando-o de anta e animais semelhantes. No entanto, defendem a Veja e eu acho que, apesar de não a ler, ela deve existir pra dar vazão a certo espectro ideológico nacional, já que a nossa Constituição defende a liberdade de expressão e de imprensa.

Agora retornando ao CQC, eu nem vou retomar a discussão se o programa faz ou não jornalismo. Na minha opinião, é jornalismo com entretenimento e mesmo que não fosse, que fizesse apenas humor, é direito que eles adentrem o Congresso Nacional e faça as suas matérias. Afinal, a casa não é do povo? Enquanto isto, na Argentina, o programa Gran Cuñado, programa de humor que satiriza os políticos, faz o maior sucesso e, segundo um cientista político ouvido pelo Jornal da Globo, cumpre um papel importantíssimo por mostrar certas especificidades dos políticos que ficam escondidos no processo eleitoral (que acontece no final do ano).

Só o ministro da Justiça se manifestou contra o programa, afirmando que as sátiras da presidente Cristina Kirchner (que é muito simpática com o CQC brasileiro) deveriam ser proibidas. Aliás, a versão argentina do CQC faz o maior sucesso há anos e não me parece que os políticos de lá tentaram impedir o acesso nas dependências do Congresso. No quesito aceitação às críticas, os políticos argentinos estão dando 10 x 0 nos brasileiros.

P.S: Depois que fiz este texto, achei este post na coluna Radar On-Line da Veja tratando deste assunto. Vejam quem envolveu a mãe de quem e tirem as suas conclusões.

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Posted in Política Internacional, Política Nacional.