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Pitacos para os autores de TV

Entre todos os pitacos e conselhos que eu poderia dar para os autores de TV, o principal e mais importante é mantenham a coerência. Nada pior para a audiência do que um autor começar a fazer uma coisa e mudar (na maioria das vezes, para pior). Vejam Passione, a última novela das 8 (agora, as novelas exibidas às 9 vão ser chamadas de novela das 9), errante em todo o seu percurso.

Sílvio de Abreu (foto: Folha)

A principal vilã ficou boazinha no meio da novela e, depois, voltou a ser má. Gerson iria ser pedófilo, mas a força do marketing esportivo da Stock Car, fez que ele tivesse uma síndrome que ninguém sabe muito bem explicar até hoje: gostar de sexo sujo. A única coerência foi Totó, burro do início ao fim da novela (espero que esta história de renascimento seja mentira, se não, mais um item para incoerência do autor).

João Emanuel Carneiro (foto: O Globo)

O ruim não é a mudança, mas o fato de não ter sido dado ao telespectador pistas destas circunstâncias. Na melhor novela dos últimos anos no horário das 9 – “A Favorita”, a transformação da vilã e suas ações eram partilhadas com aqueles que assistiam. Algo contrário disto é desrespeito com aquela pessoa que resolveu parar para ver aquilo ali. Compreendo o fato de uma novela ser uma obra aberta e, por isto, a coerência torna-se ainda mais importante.

Já que citei A Favorita, sugiro aos autores que dêem uma olhada no trabalho que vem sendo feito por João Emanuel Carneiro, o autor da novela e da sensacional série A Cura. É talento de sobra e coerência ao que está sendo apresentado na tela, às histórias que ele se propôs a construir. Sugiro ainda manter o olho aberto sobre Luiz Fernando Carvalho, João Falcão e Fernando Meirelles (via O2). Aos poucos, este quarteto tem ressignificado o fazer TV no Brasil.

Luiz Fernando Carvalho (foto: Marcos Silvério)

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