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Rede Blogs – Eleições 2014: Entrevista Rodrigo Hita (PSB)

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Comprometidos com a valorização da política, da democracia e da compreensão das necessidades e demandas da sociedade brasileira Alex Hercog, Thiago Ferreira e Mailson Ramos, blogueiros e produtores de conteúdo, uniram seus sites com o intuito de entrevistar os candidatos aos cargos eletivos para o governo do Estado da Bahia, ao senado e a deputado estadual e federal. Foram enviadas perguntas para as assessorias de todos os partidos em disputa e as respostas serão gradativamente publicadas até o dia da eleição.

Pitacos do Manuca, o Opinião & Contexto e Blog do Kizumba, por suas características análogas em relação à publicação de artigos dos seus criadores e administradores resolveram criar uma rede de integração para divulgar as entrevistas e futuramente amplificar o relacionamento dos sites e das propostas de seus idealizadores. A Rede Blogs está no ar, tendo como principal objetivo democratizar o espaço de divulgação de propostas de todos os candidatos baianos, sem discriminação e com garantia de mesmo espaço para todos e, assim também contribuir para o eleitorado se informar e fazer a escolha que lhe for conveniente.

Seguimos em frente discutindo as demandas da sociedade brasileira e desempenhando, mesmo que em pequenas proporções, o nosso dever de cidadania.

Rodrigo Hita (PSB), candidato a deputado estadual

Rodrigo Hita (PSB), candidato a deputado estadual (foto: Divulgação)

Rodrigo Hita, candidato a deputado estadual, começou sua militância política na Juventude do PSB. Foi assessor da senadora Lídice da Mata e é primeiro-secretário do PSB da Bahia:

1. Quais os pontos positivos e negativos, o senhor destacaria dos 8 anos de governo Wagner?

A principal vantagem foi a mudança de postura no tratamento político com as diversas esferas de poder do estado. As relações do governo com o Judiciário, a Assembleia, as prefeituras, os movimentos sociais, e a sociedade como um todo, se dá num patamar de muito mais respeito do que se dava antes. A sensação é que antes não existia respeito às instituições democráticas no estado.
Além disso, é inegável o salto qualitativo que o estado deu em investimento na estrutura. Como exemplo, cito o forte investimento na recuperação e construção de novas estradas, e a construção, ainda deficitária, mas já um avanço, de novos hospitais, em especial no interior do estado.

Como pontos negativos, ressalto a dificuldade no diálogo com os servidores públicos, que resultou inclusive em três greves marcantes; a política de educação do estado, que avançou pouco; a falta de uma estratégia clara na segurança pública, que resultou num aumento expressivo tanto na criminalidade, quanto no número de mortes no estado; e por fim, a falta de criatividade do governo em produzir políticas públicas próprias, muitas vezes parecendo um gerente das políticas do Governo Federal.

2. Como o senhor avalia a política de cultura no estado, sobretudo ligado ao audiovisual? Como o seu mandato pode contribuir para ampliar a produção e acesso a bens culturais, e o reconhecimento da cultura como modo de vida?

O estado ainda investe muito pouco em cultura. Através da nossa senadora Lídice da Mata, temos defendido aumentar para 1,5% do PIB o investimento em cultura no país, e 1,5% do orçamento do estado. Tenho uma visão da cultura como instrumento de valorização e transformação social, e pretendo ser na Assembleia um dos interlocutores e defensores da política dos pontos de cultura.
Defendo também o incentivo à identificação de potencialidades e capacitação de nossos jovens na chamada economia criativa desde a escola. Isso só será possível em sua plenitude com escola em tempo integral.

Além disto, na área do audiovisual, passos importantes foram dados, mas a Bahia ainda está mal situada nacionalmente, e inclusive regionalmente. Hoje, a Bahia forma bons atores, mas ainda tem uma produção audiovisual frágil. Além de defender a abertura de novos editais com uma visão mais moderna da área, defendemos a valorização do Irdeb, que, voltando para a Secretaria de Cultura, e buscando uma autonomia financeira maior, pode vir a ser tornar um parceiro de fato importante para a produção audiovisual no estado.

Por fim, acho que o investimento nos festivais de cultura nas diversas regiões do estado tem ajudado a fortalecer e divulgar a cultura das nossas diversas regiões e a promover uma maior integração. Sendo assim, pretendo aprofundar a política de incentivo a eles.

3. As relações partidárias costumam ser previsíveis, com partidos de oposição votando contra o Governo e os de situação votando a favor, mesmo que determinado voto contradiga a história política do parlamentar. O senhor pretende agir com independência ou seguir a orientação partidária nas votações? Qual o limite da sua autonomia em relação ao seu partido?

Tenho minha trajetória construída juntos aos movimentos sociais do estado, sempre lutando com o meu partido para fortalecer as pautas dos trabalhadores. Meu partido tem uma história de respeito e lealdade aos interesses do povo da Bahia, e não me lembro de um episódio em que a posição do partido nas lutas do estado não tenha sido motivo de orgulho para mim.

O PSB, no entanto, busca ter uma posição coerente com a sua história nas votações de temas importantes na Assembleia, não sendo cegamente governista, nem cegamente oposicionista.

Acredito na organização através dos partidos políticos, acredito na importância dos partidos para a democracia, e acredito no partido que ajudo a construir.

4. Como o senhor avalia a política de acessibilidade no Estado e quais suas propostas para garantir os direitos das pessoas com deficiência?

Acompanho com muita atenção a luta por acessibilidade e inclusão dos portadores de necessidades especiais em nosso estado. Acredito que ainda falta muito a ser feito neste sentido, para garantir a cidadania plena a essas pessoas. Faltam escolas especializadas, preparação dos agentes públicos, acessibilidade em prédios públicos, e muitas coisas que se sucedem a estas políticas. No PSB, temos lideranças importantes do estado construindo este debate, como Milton Bezerra, Luiza Câmara e João Prazeres. Além deles, temos também o exemplo do nosso deputado federal Romário, que tem liderado as discussões sobre o tema no Congresso.

Tenho buscado me somar a todo este debate, e pretendo lutar pela implementação de uma rede de escolas “bilíngues” (onde se ensine também em libras e braile) para que os estudantes portadores destes tipos de necessidade possam se desenvolver integrados ao ambiente em que os demais estudantes convivem.

5. Os empreendimentos de Economia Solidária se queixam da burocracia para a formalização e da alta carga tributária, muitas vezes, superior a de empresas privadas. O senhor defende uma flexibilização nas leis de formalização desses grupos e isenção ou redução fiscal?

A criação de uma superintendência para desenvolver o tema no estado foi também um avanço nesse último governo, assim como uma lei específica voltada para o tema. Vejo as iniciativas dos empreendimentos solidários como uma alternativa importante para o desenvolvimento da economia das nossas cidades. Creio que qualquer medida que venha a incentivá-los e a desburocratizá-los será bem-vinda, em especial, as políticas de redução fiscal.

6. É a favor ou contra leis que combatam à homofobia?

Completamente favorável. É inaceitável que, em pleno século XXI, ainda tenhamos exemplos de ódio e intolerância na nossa sociedade. Falar numa sociedade livre e democrática é reconhecer, respeitar e fortalecer as nossas diversidades, sejam de credo, de raça, de sexualidade, ou qualquer outra.

Acredito que devemos não só estabelecer leis que punam a intolerância, como continuar lutando para ampliar os direitos da comunidade LGBT na Bahia e no Brasil.

7. Como enxerga a segurança pública do estado? Como se posiciona em relação à violência policial e a ações como a do caso Geovane?

Precisamos mudar muita coisa na área de segurança. Nossa candidata ao governo, a senadora Lídice da Mata, tem dito claramente que, na opinião dos socialistas, devemos seguir o exemplo pernambucano do “Pacto pela Vida”, compreendendo que falar em segurança pública não é só falar em ação policial, mas numa série de políticas públicas integradas, que visem a inclusão social.

Precisamos preparar melhor os nossos policiais, e valorizar mais a carreira. É inadmissível que abordagens truculentas, como a do “caso Geovane”, ainda sejam bastante comuns no nosso estado. Refletem também, em muitos casos, o despreparo do policial. Hoje, temos uma polícia mais preocupada em separar o rico do pobre, que em estabelecer uma cultura de paz. O resultado disso é o extermínio da nossa juventude.

Enxergo a desmilitarização como um caminho possível, mas não o único, visto que o tema é de uma complexidade grande. No entanto, o debate sobre a segurança será prioritário para estabelecermos uma nova cultura de paz na Bahia.

8. Em uma eventual disputa por áreas entre indígenas e produtores rurais, como a que ocorre em Buerarema, de que lado o senhor se posicionaria? Como enxerga essas disputas?

A maioria dos casos de demarcação de terras indígenas no país que ainda não foram julgados é justamente por que incluem uma complexidade maior. Não acredito que seja possível analisar todos os casos ainda não julgados pelo mesmo viés, pois todos eles têm especificidades importantes. O caso de Buerarema é um marco neste sentido por vários motivos. Basicamente, segundo a nossa Constituição, trata-se de um conflito entre direitos fundamentais, onde ambos os lados possuem legitimidade no processo. Portanto, sem dúvida, a solução tende a surgir de uma decisão refletida com base na ponderação. Grande parte da área reivindicada é urbana, além de muitos empreendimentos de pequeno e grande porte, bem como famílias de pequenos e grandes agricultores se estabeleceram há muitos anos na região.

Acredito que meu papel como deputado estadual deva ser lutar para que a segurança da população, indígena e não-indígena, esteja garantida. A preocupação central, portanto, deve ser para que o conflito que tramita na Justiça não seja acompanhado de conflitos bélicos, como, algumas vezes, tem acontecido. Além disso, acredito que o estado precisa garantir que nenhum dos envolvidos seja prejudicado com a demarcação e que a própria demarcação da terra, quando ocorrer, possa contribuir também para a economia da região, também capacitando os cidadãos indígenas para tal.

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Rede Blogs – Eleições 2014: Entrevista Renata Mallet (PSTU)

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Comprometidos com a valorização da política, da democracia e da compreensão das necessidades e demandas da sociedade brasileira Alex Hercog, Thiago Ferreira e Mailson Ramos, blogueiros e produtores de conteúdo, uniram seus sites com o intuito de entrevistar os candidatos aos cargos eletivos para o governo do Estado da Bahia, ao senado e a deputado estadual e federal. Foram enviadas perguntas para as assessorias de todos os partidos em disputa e as respostas serão gradativamente publicadas até o dia da eleição.

O Pitacos do Manuca, o Opinião & Contexto e Blog do Kizumba, por suas características análogas em relação à publicação de artigos dos seus criadores e administradores resolveram criar uma rede de integração para divulgar as entrevistas e futuramente amplificar o relacionamento dos sites e das propostas de seus idealizadores. A Rede Blogs está no ar, tendo como principal objetivo democratizar o espaço de divulgação de propostas de todos os candidatos baianos, sem discriminação e com garantia de mesmo espaço para todos e, assim também contribuir para o eleitorado se informar e fazer a escolha que lhe for conveniente.

Seguimos em frente discutindo as demandas da sociedade brasileira e desempenhando, mesmo que em pequenas proporções, o nosso dever de cidadania.

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Renata Mallet (PSTU) (foto: Jornal Tribuna)

1. O PSTU baiano não tem conseguido eleger prefeitos, deputados, nem vereadores. Você aparece como uma das últimas nas pesquisas e sua chapa não possui coligações. O que justifica essa falta de representatividade do seu partido e como pretende se eleger ou governar estando isolada?

Infelizmente as eleições possuem uma engrenagem bastante antidemocrática. Tudo começa pelo orçamento de campanha. As grandes candidaturas possuem orçamentos milionários custeados pelas grandes empresas e usam esses recursos para fazer campanhas hollywoodianas centradas em vender uma “imagem ideal” dos candidatos e não propostas e um programa para mudar a vida das pessoas. Outro problema é a exposição dada pela grande imprensa. As grandes redes de TV priorizam as chamadas “candidaturas principais” e invisibilizam os outros candidatos para o público. No meu caso, a Band e a TV Bahia me excluíram dos debates. Isso contribui bastante para que partidos como o PSTU tenham pouca aparição.

Nossa perspectiva da política não é de “se dar bem”. Minha candidatura está a serviço de um programa que aponte mudanças de verdade na vida dos trabalhadores. Por isso sempre digo que minha candidatura é a única que tem coragem de dizer que tem um lado. No caso, o lado dos trabalhadores e das pessoas comuns, gente que trabalha duro como eu para pagar as contas no final do mês. Sempre me perguntam sobre a questão da governabilidade e eu sempre respondo com outra pergunta: O PT de Wagner e Rui teve a maioria absoluta na ALBA nesse último mandato. De que isso adiantou? Quais leis foram aprovadas em benefício dos trabalhadores e do povo?

Se eleita vou governar me apoiando nos trabalhadores, nos movimentos sociais e populares organizados em conselhos deliberativos. Por exemplo: Quem melhor do que os profissionais da saúde para decidir sobre as políticas e quanto será investido no setor? Queremos que esses profissionais possam tomar decisões junto com a governadora e os deputados, caso não concordem terão de se explicar, dizer porque são contra as políticas necessárias para mudar pra melhor a saúde. O mesmo vai acorrer com a educação, mobilidade urbana e segurança.

2. Por que PSOL e PSTU baianos não saíram coligados nas eleições deste ano, reproduzindo uma aliança que havia sido realizada em pleitos passados? Qual é a sua opinião sobre o candidato do PSOL, Marcos Mendes, e sobre o único vereador da legenda na capital baiana, Hilton Coelho?

Os critérios que usamos para conformação de coligações são diferentes dos usados pelo PT ou o DEM. Para eles impera tempo de TV e acordos sobre pastas num futuro governo, para nós o que pesa é o programa. Queríamos apresentar um programa que tivesse como ponto de partida as injustiças sociais da Bahia e uma saída que mudasse essa situação. Infelizmente as discussões com o PSOL foram insuficientes. No PSOL existem várias correntes políticas internas com interesses e perspectivas próprias sobre as eleições. Não foi possível conciliar todos esses interesses e nossa militância no Estado optou pela defesa de uma candidatura própria.

Marcos Mendes é um companheiro de luta. Estivemos juntos na última eleição para a diretoria do sindicato de bancários da Bahia onde saí candidata ao cargo de presidente e ele de vice. Tenho grande respeito por ele e sua candidatura. Meu compromisso nessas eleições é levar aos trabalhadores da Bahia a mensagem de meu partido: “Para mudar, é preciso um governo dos trabalhadores”. Não foi possível concretizar isso numa frente.

A Câmara Municipal de Salvador é um balcão de negócios onde os vereadores que fazem suas campanhas financiados pelas empresas retribuem esse “favor” durante o mandato. Hilton Coelho é, sob esta ótica, um “ilustre intruso”. Isso porque foi eleito sem receber dinheiro de empresário e tem usado seu mandato para denunciar os ataques de ACM Neto aos trabalhadores e a conivência dos vereadores.

3. Você acredita ser possível governar e emplacar projetos importantes, mesmo sem possuir bancada na Assembleia? De que forma?

Como já disse anteriormente, quero governar apoiada nos trabalhadores organizados nos movimentos sociais e populares. Cada projeto do meu governo será co-elaborado junto com estes setores. Se os deputados da ALBA forem contra terão de se explicar. Por exemplo, tenho defendido, e se eleita, será uma das minhas primeiras medidas, que o salário do governador e dos deputados sejam iguais aos de um professor. Quero dar um basta nos privilégios dos políticos! Se os deputados forem contra, terão de explicar porque o dinheiro que falta na saúde e na educação continua indo parar nos seus bolsos.

4. Em um possível 2º turno envolvendo Paulo Souto e/ou Rui Costa e/ou Lídice da Mata, a senhora cogitaria apoiar algum candidato?

Não. É uma questão de princípios e de coerência política. Tenho dito nas eleições que Souto, Rui e Lídice não vão mudar a vida dos trabalhadores e do povo porque governaram junto com os ricos. Basta acompanhar as prestações de contas dessas 3 candidaturas para ver que empreiteiras e o grande empresariado são seus principais investidores. Investidores mesmo, pois a nossa concepção é a de que empresa não faz doação de campanha, mas investimento. E esse investimento é retribuído depois das eleições com contratos superfaturados e corrupção.

Por denunciar essa questão do financiamento de campanha tenho sofrido duros ataques dessas três candidaturas. São diversas as tentativas de tirar meus programas do ar. Jamais poderia passar uma borracha e apoiar qualquer um desses três no segundo turno. Caso haja segundo turno, nós do PSTU iremos nos dedicar a dialogar com os trabalhadores e a juventude para não depositarem nenhum voto de confiança em nenhuma dessas três candidaturas.

5. Como seria possível contrariar interesses do setor imobiliário, das grandes indústrias e do grande empresariado sem desestabilizar a economia e gerar desemprego?

Essa é uma pergunta interessante. No governo, meu primeiro desafio será acabar com as isenções fiscais para as grandes empresas. Somente com ICMS, em 2013, o governo Wagner deixou de arrecadar 2,9 bilhões de reais. Vamos defender os interesses dos trabalhadores e não cederemos as chantagens das grandes empresas que exigem isenções em troca de se instalarem na Bahia. A Ford, por exemplo, veio para Bahia na época do carlismo com garantias de várias isenções fiscais que seguem até hoje com os governos do PT.

Mesmo assim, após todos esses anos acumulando lucros o salário médio pago a um operário em Camaçari é muito inferior ao que é pago ao operário que exerce a mesma função na planta da Ford no ABC paulista. Ou seja, essa lógica só beneficia o empresário que recebe isenção, lucra alto, e ainda paga baixo salário e demite quando bem entende com a conivência do governo do Estado. Vamos acabar com essa farra de isenções e também cobrar imposto progressivo sobre as grandes fortunas. Vamos usar esse dinheiro para investir em ações que melhorem a vida das pessoas

6. O seu partido defende um Estado forte. Quais medidas tomaria para seguir esse princípio e diminuir a intervenção do setor privado nas decisões do governo?

Precisamos enfrentar o problema das privatizações e das terceirizações. Cerca de 15% do orçamento do Estado é gasto com terceirização. Em 2013, os recursos destinados para terceirização – R$ 5,2 bilhões – superaram o orçamento para educação! É preciso dar um basta nessa situação. Abriremos um canal de diálogo direto com o funcionalismo público estadual para juntos tomarmos medidas que combatam o mal da terceirização e tenham como princípio a valorização do servidor público.

Acreditamos que para Bahia seguir em frente não precisamos de privatização. No nosso governo, aboliremos as chamadas PPPs (Parcerias Público-Privadas) que os governos do DEM e do PT que têm suas candidaturas financiadas pelas empreiteiras tanto defendem. Não entregaremos as obras necessárias para o desenvolvimento do estado nas mãos de empreiteiras que superfaturam os custos desviando recursos públicos para benefício próprio de políticos e empresários corruptos. Temos como projeto a promoção de um plano de obras públicas que construa escolas, creches, unidades de saúde e Hospitais. Com isso, vamos por um lado melhorar as condições de acesso à saúde e educação pública e, por outro lado, gerar novos postos de trabalho para combater o problema do desemprego que hoje atinge a taxa de 18% somente na região metropolitana de Salvador. Também fará parte desse plano de obras públicas o tema da mobilidade urbana.

7. Quais são suas propostas para a segurança pública? É favorável à desmilitarização das polícias militares?

Nós defendemos a desmilitarização da PM e a criação de uma nova polícia civil unificada sob controle dos trabalhadores. A estrutura policial brasileira é incapaz de resolver o problema da segurança pública. A mesma polícia que reprime os protestos com balas de borracha e bombas de gás é a que maltrata e, muitas vezes, assassina jovens negros na periferia. Até mesmo a ONU recomendou ao Brasil a desmilitarização da polícia. Não existem atalhos para resolver o problema da violência. É preciso desmilitarizar a PM, acabar com a criminalização da pobreza e o genocídio do povo negro. É preciso atacar as injustiças sociais e a desigualdade econômica.

8. A Bahia é um dos estados com maiores índices de violência contra LGBTs. Quais as suas propostas para o combate à homofobia?

Primeiro passo é aprovar uma lei estadual que criminalize a homofobia e fazer pressão para o que o PLC 122 seja aprovado em Brasília criminalizando a homofobia em todo território nacional. Não podemos mais ser tolerantes com a violência homofóbica. O governo do estado deve assumir a responsabilidade política pela promoção do combate a lgbtfobia. Na educação por exemplo, vamos procurar os movimentos LGBT’s para elaborar uma cartilha que será usada nas escolas da rede estadual. É dever dos governos fazer o contraponto ao preconceito

9. Em um eventual governo do PSTU, quais ações seriam tomadas em relação à publicidade estadual? Quais ações serão adotadas para democratizar a comunicação?

O debate sobre a democratização da comunicação é nacional e precisa ser aprofundado. Infelizmente, a grande maioria das pessoas não sabe, por exemplo, que as TVs são concessões públicas. Existem hoje grandes impérios midiáticos que dominam a opinião pública. Somos a favor de expor para os trabalhadores e os jovens as relações espúrias entre a grande mídia e os governos. Perdão de dívidas e renúncia fiscal são só a ponta do iceberg. Toda vez que ocorre uma greve ou manifestação contra aumento de tarifa vemos o papel que muitos órgãos da imprensa cumprem auxiliando os governos a colocar a população contra trabalhadores que lutam por seus direitos. Na greve dos professores em 2012, as redes de televisão, principalmente a TV Bahia, repercutiam todos os dias as salas de aula vazias e os prejuízos gerados pela persistência da greve colocando a responsabilidade nos professores. Essa atitude pode ser explicada pelo fato de que o governo do estado é um dos principais “anunciadores” da Rede Bahia, pagando fortunas todos os anos para suas campanhas publicitárias. Uma das tarefas de um governo dos trabalhadores é também romper com essa lógica.

10. Qual é o maior ponto positivo e o maior ponto negativo que você enxerga no governo Jaques Wagner? E nos governos carlistas passados?

Sendo bastante sincera, do Carlismo não gosto nem de ouvir falar. Acredito que esse deve ser o sentimento de milhares de trabalhadores, especialmente o funcionalismo, que sofreram muito durante os anos de chumbo do Carlismo. A Bahia do carlismo era a Bahia da farra dos ricos e da opressão aos trabalhadores e ao povo pobre. Como esquecer do fatídico episódio da invasão da faculdade de direito da UFBA pelas tropas da PM a mando de César Borges (na época do grupo de ACM e hoje aliado de Wagner)? Como esquecer do arrocho salarial ou das inúmeras greves sempre duramente reprimidas? Quem viveu os anos do Carlismo não deseja nem por um segundo seu retorno. Quanto a Wagner, fomos oposição desde o primeiro dia do seu primeiro mandato.

Wagner convenceu os trabalhadores que votando nele para derrotar o carlismo, a Bahia mudaria. O problema é que Wagner desde o começo buscou se aliar com antigos parceiros do Carlismo como é o atual vice- governador Otto Alencar. Também não nos esquecemos da aliança feita com Geddel. Wagner comprometeu-se com os empresários e acabou governando a Bahia priorizando os interesses desses aliados e não do povo trabalhador da Bahia. Após oito anos, somos a sexta economia do país, mas apenas o 22º lugar quando se trata dos indicadores sociais. A única forma de mudar de verdade a Bahia é dando um passo à frente. Se o Carlismo fez tanto mal e gerou tamanha desigualdade, se a experiência com o PT foi tão amarga, é preciso seguir em frente e mudar de verdade. Por isso, defendemos uma Bahia governada com e para os trabalhadores.

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“O Carlismo estava adequado àquela situação”

“O Carlismo estava adequado àquela situação”, afirmou o prefeito de Salvador, ACM Neto, em entrevista à Rádio Metrópole, hoje (16). Não consegui nem fazer piada desta vez. Que ele veja o avô vivo, que o tenha como referência (mesmo dizendo ser o novo), vá lá, mas esta reconstrução da história é uma distorção que não deveria ser aceita tão passivamente. O carlismo aqui só se propagou por causa da Ditadura Militar. O prefeito também acha que a Ditadura estava adequada àquela situação?

Aliás, qual é a situação a que se refere o prefeito? “A ameaça comunista”?, argumento utilizado à larga pelos militares e seus apoiadores, “A necessidade de dar início aos negócios da família”?, “Ao fingimento de não existência de violência”?, enquanto o Estado era por si só representante maior da violência contra a população (utilizando para isso métodos escusos como grampos e direcionamento de verbas). O carlismo só estava adequado aos carlistas, apoiadores e familiares.

Este amor irrestrito de Antônio Carlos ao estado nada mais foi que estratégia de construção de imagem, em que ele aparecia como grande defensor da Bahia, enquanto perseguia adversários e deixava grande parte da população na miséria e na ignorância. Ou ainda não figuramos como um dos estados mais desiguais do país no acesso à educação e outros direitos básicos? Retórica e estratégia idênticas a que foram utilizadas pelos militares, que recorriam ao ufanismo e à Ideologia de Segurança Nacional contra um inimigo comum.

ACM Neto (DEM) (foto: Lula Marques/ Folhapress)

ACM Neto (DEM) (foto: Lula Marques/ Folhapress)

Inclusive, a violência é fruto desta desigualdade. Estarrecedor o artigo do prefeito Antônio Imbassahy (PSDB, ex-PFL), no jornal A Tarde de hoje, afirmando que a violência explodiu durante os 13 anos de governo do PT, conferindo-lhes a responsabilidade exclusiva pela situação atual. Não retiro a parcela de responsabilidade destes governos, mas é uma desfaçatez fingir que a desigualdade social aprofundada durante administrações apoiadas por ele não tem uma imensa responsabilidade pelo que assistimos hoje.

Se há uma explosão da violência no Nordeste, em parte, ela se dá pela desigualdade social ainda abissal na região, mesmo com os avanços dos últimos anos na região. A política de segurança pública anterior, que associava o tacape com a não transparência das informações, não era melhor. Enquanto a TV dizia que tudo estava certo na Bahia em 2001, durante o governo Paulo Souto, os tiroteios eram diários, no bairro de Tancredo Neves, em Salvador (morava no bairro na época).

Estas reconstruções da história só são possíveis por termos uma classe média que passou a falar sobre a violência, pelo fato de ser agora vítima dela, após um transbordamento da violência periférica, por haver uma imprensa tão próxima deste discurso e, finalmente, pelo governo Wagner ter seguido a tônica de Lula, conciliando-se com aqueles que sempre estiveram no poder (no nosso caso, com os carlistas), para ter estabilidade política, cedendo em temas importantes, a fim de aumentar o investimento social.

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2014 na Bahia: Tá todo mundo na pista pra negócio – Parte IV

O quadro na oposição também é bastante complicado em torno de um nome que consiga derrotar o candidato petista em 2014. Hoje, os principais nomes no campo da oposição são o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, Geddel Vieira Lima (PMDB), e o deputado federal ACM Neto (DEM).  Mais uma vez, DEM e PMDB estarão em campos opostos.

Parece ser improvável, como foi em 2010, que, reeditada a aliança PT-PMDB a nível nacional, Geddel se coloque na chapa que apoiará a candidatura do adversário de Dilma-Temer, tendo que pagar o ônus de ser governo no âmbito nacional e oposição no Estado. Dificilmente, o PSDB e o DEM deixarão o candidato tucano sem palanque no quarto maior colégio eleitoral do País, apoiando Geddel.

A união da oposição ao PT em 2014 passava por uma união em 2012, na capital baiana, o que, hoje, parece ser algo praticamente descartado. Com a desunião em 2012, com Neto sendo o candidato do DEM e Mário Kertész sendo o candidato do PMDB, resta saber o comportamento dos outros partidos oposicionistas. A noiva cortejada hoje é o PSDB que, a meu ver, vai ficar com o democrata, por causa de uma articulação nacional (fiz esse texto na quarta à noite, portanto, antes da confirmação da aliança entre os dois partidos, concluída na data de hoje). Entretanto, Kertész deve permanecer na disputa, construindo uma alternativa com o PR.

O PR de Borges e o PMDB de Geddel já caminharam juntos em 2010 e não deve ser difícil para eles reeditar a aliança agora, o que pode ser uma garantia de reeditar essa aliança também em 2014. Sobre ACM Neto e o DEM, suponhamos que ele ganhe a prefeitura da capital, largará a administração para ser candidato em 2014? Caso não seja, apoiará Geddel ou o DEM lançará o nome de seu presidente estadual, José Carlos Aleluia, ao Palácio de Ondina? Apoiando Neto hoje, o PSDB pode pleitear ter a candidatura ao governo em 2014 para Imbassahy ou Jutahy?

Esse quadro, para muitos analistas, representa um entrave às aspirações oposicionistas. Creem estes analistas que, desunidos, os oposicionistas perdem este ano e perdem em 2014. É uma antecipação, a meu ver, indevida, pois diversas variáveis devem ser encaradas: 1- o governador não é candidato à reeleição; 2- quem será o candidato do governo; 3- qual será o nível de envolvimento de Lula e Wagner; 4- qual será a aprovação do governo e do governador; 5- como os candidatos de oposição vão se apresentar. Já disse e repito que o que mais atrapalha a oposição hoje é a falta de um projeto, o que favorece amplamente ao governo.

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2014 na Bahia: Tá todo mundo na pista pra negócio – Parte III

Como visto nos posts anteriores, o quadro dentro do PT é complexo em relação a 2014. Entretanto, fora dele, a situação não é menos calma. Na base aliada do governo, existem hoje quatro pré-candidatos para a disputa do Palácio de Ondina. Quatro pré-candidatos que podem se contentar com outras vagas que não sejam a cadeira do governador. São eles Marcelo Nilo (PDT), presidente da Assembleia Legislativa, Lídice da Mata, líder do PSB no Senado, João Henrique (PP), prefeito de Salvador, e Otto Alencar (PSD), vice-governador.

Destes, os que mais articulam para ter uma vaga na chapa majoritária são o presidente da Assembleia, Marcelo Nilo, que já declarou que, se o cavalo passar selado a sua frente (a candidatura ao governo), não vai deixar ele passar, e o prefeito João Henrique, que, no maior estilo “Exterminador do Futuro”, largou o seu “I will be back” e declarou que, em 2014, tentará ser governador da Bahia.

João Henrique (PP) (foto: Divulgação)

Dificilmente, o PT abrirá mão para um dos dois. Se for assim, em 2014, teremos apenas uma vaga ao Senado, que hoje, parece ser do vice-governador Otto Alencar. Este que já se adiantou aos outros partidos governistas e declarou apoio ao candidato do governador Jaques Wagner. Mantendo-se esta configuração, PP, PDT, PSB e PCdoB, os outros maiores partidos da base, teriam que ficar com as suplências do Senado, com a vice-governadoria e com a presidência da Assembleia, que também entra na conta, segundo alguns dos aliados do PT.

Otto Alencar (foto: Mateus Pereira/Secom)

Nilo parece começar a cansar de ser presidente da Casa legislativa estadual, o que não o impede de já ser candidato à reeleição para o biênio 2013-2014. Fato é que ele tem viajado muito ao interior do estado, integrando a comitiva do governador. Aceitaria Marcelo Nilo a vaga de vice-governador na chapa de um petista? Continuará à frente da Assembleia? Brasília, dizem, não é uma de suas prioridades. Toparia integrar a chapa de outro partido da base?

Marcelo Nilo (PDT), presidente da Assembleia

João Henrique e o PP, não tendo espaço nem no Senado, nem ao Governo, se contentarão com a vaga de vice ou com a Presidência da Assembleia ou lançarão a candidatura do prefeito ao Palácio de Ondina? Apesar das pesquisas mostrarem a sua rejeição, vontade é que não falta ao chefe do Executivo soteropolitano. O PP seguirá o exemplo do PMDB, rompendo com o governo, agora que não tem mais um ministério, para alçar voo solo? Duvido, mas não descarto.

Já o caso de Lídice passa por uma decisão nacional do PSB, inclusive, para o que vai querer agora na eleição municipal de Salvador. Se o governador Eduardo Campos entender que deve ter uma candidatura e que a senadora deve ser a candidata, Lídice sai da conta em 2014, abrindo espaço pro PDT. Isso pode ocasionar inclusive a saída de Marcelo Nilo do jogo estadual, já que sobe Nestor Duarte, o que já deixaria, a priori, o partido contemplado com um cargo de alta visibilidade.

Senadora Lídice da Mata (PSB)

Se o PSB decidir não ter candidato em Salvador, Lídice vai se opor ao candidato petista em 2014? Se Eduardo Campos for candidato a presidente, pode ser que sim, mas Campos vai concorrer contra Dilma 77% – Lula? Pra mim, Campos sai pro Senado – único nome capaz de unificar a base em Pernambuco – e só vai ser candidato a presidente em 2018. Assim, Lídice não sendo prefeita, ficará no Senado. A conferir.

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2014 na Bahia: Tá todo mundo na pista pra negócio – Parte II

Rui Costa (foto: Manu Dias/Secom)

Rui Costa, hoje, talvez seja o que mais se articula para ser o candidato do PT à sucessão de Wagner. Ou seja, caso o discurso do governador no final de 2010 fosse o critério final, estaria limado já na saída, mas não é o caso. O que dizem em todos os cantos é que ele tem buscado incansavelmente os prefeitos do interior. Ontem mesmo, no Dia do Trabalhador, lançou slogan (“A Força da Nova Bahia”), interpretado por petistas como antecipação de que quer alçar voos maiores (veja aqui). Um amigo fez a ressalva que o slogan de Rui Costa não é novo. Ele o teria desde a eleição, em 2010, para deputado federal. Feito o registro, não deixa de ser curioso que ainda o utilize agora que é secretário.

O que pesa contra Rui? Além da falta de carisma, o fato de ser desconhecido fora de setores mais ligados em política. Rui estava no seu primeiro mandato como deputado federal, tem um cargo expressivo no governo, a secretaria da Casa Civil, mas que não tem um terço da visibilidade midiática que tem o cargo de presidente da Petrobras.

José Sérgio Gabrielli

Se Wagner pode ser considerado um bom padrinho, imagine o que é ter Lula como padrinho e o fato de ter tido a maior visibilidade nacional de um petista baiano, depois de Wagner, nos últimos sete anos? Estou me referindo àquele que é hoje o principal adversário de Rui Costa dentro do PT, o secretário estadual de Planejamento, José Sérgio Gabrielli.

Gabrielli não tem deixado Rui se movimentar sozinho. Acompanhou o lançamento de pré-candidaturas de alguns petistas no interior do estado e tem assumido eventos com visibilidade nacional, que têm a participação do governo baiano como Rio+20 e o Fórum de Energia de Estados Nordestinos nos Estados Unidos. Fatos noticiados, inclusive, pela imprensa nacional. A chegada de Gabrielli ao governo, inclusive, foi uma das mais criticadas pela oposição. Minha hipótese é que temem o apoio de Lula.

Na visão do vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, Geddel Vieira Lima, a sua derrota em 2010 para Wagner foi motivada pelo apoio explícito de Lula ao governador. O secretário estadual de Planejamento é o nome que contaria com o maior empenho de Lula, apoio que ficou marcado com a carta enviada pelo ex-presidente em sua posse, e conta com o apoio de parcela significativa do PT nacional, o que ficou demonstrado com a vinda de José Dirceu e a declaração de apoio do Presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda. Além disso, conta com o reforço de esquerdistas históricos que não têm escondido a sua predileção.

Senador Walter Pinheiro (foto: PT)

Por fim, mas não menos importante, está o senador Walter Pinheiro que, junto com Wagner e Gabrielli, são os petistas baianos de maior visibilidade. O problema de Pinheiro hoje é que ele não tem o apoio de sua própria tendência interna, a Democracia Socialista (DS). A DS está rachada em dois pedaços, o de Pinheiro, e o de Afonso-Robinson, muito mais próximos de Wagner. Segundo a revista Isto É, até sua liderança da bancada petista no Senado tem sido contestada pelos colegas. Só o tempo dirá se conseguirá reverter essa tendência.

A disputa no PT centra-se hoje, principalmente, em Rui e Gabrielli. O primeiro tem o perfil parecido com o de Wagner, gosta da articulação política, mas falta a ele a trajetória do governador. Cabe uma ressalva sobre uma possível comparação com Dilma. Apesar de pouca experiência parlamentar, a presidenta tinha larga experiência técnica, Rui está em seu segundo cargo executivo. Já Gabrielli possui maior experiência executiva (nove anos de Petrobras) e um perfil mais técnico do que o de Rui. Se o PT quiser dar uma mexida em seu projeto na Bahia, como Lula fez no caso nacional, será o escolhido.

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2014 na Bahia: Tá todo mundo na pista pra negócio – Parte I

Parece uma precipitação sem medida. Eu sei. Mas o fato é que está todo mundo se movimentando, mesmo que digam oficialmente que 2014 está distante, o fato é que tá todos os políticos já estão na pista, pra negócio. Por conta disso, este Pitacos começa uma série de quatro artigos analisando o cenário. Serão publicados dois hoje (analisando a situação no PT), um na quinta (base aliada) e outro na sexta (na oposição).

Em um almoço com jornalistas no fim de 2010, Wagner, já reeleito, afirmou que apoiaria à sua sucessão aquele que menos tramasse. Tratou de citar o exemplo de Dilma, aquela que, segundo ele, menos tramou para suceder Lula e acabou sendo a candidata e, agora, é presidenta. Pois, se o governador, de fato, utilizasse esse critério hoje, ficaria sem nenhuma opção dentro do seu partido. Todos os pré-candidatos petistas se articulam (não direi que tramam) e muito para ser o candidato da legenda, com a bênção do governador. O PT tem cinco pré-candidatos, dois aparecendo hoje com menor chance: os prefeitos Luiz Caetano, de Camaçari, e Moema Gramacho, de Lauro de Freitas.

Mesmo tendo conseguido excelente visibilidade com a presidência da UPB, o primeiro já é considerado carta fora do baralho, por não conseguir agregar internamente, por algumas declarações mais deslocadas, justo no seu cargo à frente da UPB (o seu espaço de articulação da candidatura) e, agora, com a postura da deputada estadual Luiza Maia, esposa de Caetano, que votou contra o projeto do governo de reajuste dos professores. Uma “afronta” aos interesses do governador, com provável peso em 2014.

O que petistas têm dito é que Wagner não digeriu essa postura e vai dar algum tipo de punição aos governistas infiéis. Com uma base tão dilatada, Wagner não esperava por isso. Apesar da expressiva votação de apoio, teve que ver as defecções de Luiza Maia, do PCdoB (que se absteve de votar) e do deputado Capitão Tadeu, do PSB.

Moema, Nilson Sarte e Caetano (crédito: Valtério Pacheco)

Já Moema Gramacho, apesar de estar em uma situação melhor do que Caetano, ainda pena pelo fato de ter pouca visibilidade no jogo estadual. Vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Moema não conseguiu capitalizar isso a favor de sua imagem. Tem buscado um espaço no governo, apesar de, publicamente, negar (a ainda indefinida titularidade da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social).

Articula-se menos que Caetano e como quase tudo na vida tem um lado bom e outro ruim (haja visto, o discurso inicial de Wagner sobre quem trama), dificilmente, será a candidata sem conquistar o apoio dos correligionários. Corre contra ela ainda o fato de ser da mesma tendência interna que Rui Costa – a Reencantar –, que todos sabem é o favorito de Wagner para a sua sucessão.

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Censura: Jornalistas miram no que não existe e fecham os olhos pro que não querem ver

De vez em quando, vemos jornalistas gritando contra a censura. Bradam bandeiras dizendo da ameaça de que o Estado totalitário retorne e ameace a nossa profissão. Foi assim com o Conselho Federal de Jornalismo; tem sido assim com a Lei que regulamenta o direito de resposta, mas será que a censura já não está sendo executada exatamente agora, neste momento, e longe do poder do Governo Federal (pra mim, a instância de governo menos censora atualmente)?

Vejamos: existe já agora no País, atuação de grupos empresariais com força de fazer silenciar a imprensa sobre determinados assuntos. São eles os detentores dos recursos que mantém a imprensa através de publicidade. Os empresários têm, inclusive, pedido a cabeça de jornalistas, sendo prontamente atendidos pelos editores e donos de jornal. Neste embate, a corda sempre arrebenta para o lado do mais fraco: o operário da notícia.

A censura, no entanto, não para por aí. Governos de diversos partidos em vários estados utilizam o seu poder (tanto financeiro, quanto político) para, da mesma forma que os grupos empresariais, silenciar órgãos da imprensa sobre determinados assuntos, enviesar coberturas e pedir cabeça de jornalistas. Difícil ver, em um jornal local, forte crítica e fiscalização do Poder público daquele Estado onde o veículo circula.

Nos casos locais, além da censura política e econômica, vigora simpatia dos donos por certos políticos. Funciona assim: “acredito no neoliberalismo, na direita, então apoio PSDB e DEM, que eu acho que é que mais representam estas minhas ideias”; o vice-versa ideológico também acontece.

Querem um exemplo recente da censura? O partido que mais grita contra ela, o PSDB, pressionou e teve a cabeça de um editor da revista História, publicada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, por ter publicado uma resenha do livro A Privataria Tucana (que tem graves acusações contra o pré-candidato da legenda à Prefeitura de São Paulo). O presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, negou que tenha pedido a demissão, mas falou sobre ter sido vítima de uma publicação governamental que queria atingir a honra de seu partido.

Capa da edição 692 da Carta Capital trata do assunto

Ou seja, uma mera resenha em uma revista de circulação restrita gerou a indignação do dirigente tucano. É bom que Guerra explique também a demissão de Heródoto Barbeiro da Cultura; a falta de crítica ao governo tucano em jornais mineiros; certa complacência com o governo do Estado na imprensa paulista; e o recolhimento de edições da revista Carta Capital em Goiás (que me lembrou o recolhimento da revista aqui na Bahia em 2005). O PSDB censor grita contra o possível espelho do Governo Federal petista.

Longe de mim achar que petistas não façam a mesma coisa nos Estados que governam. De vez em quando, aparecem histórias aqui e ali sobre pedidos de corte de cabeça, enviesamento na cobertura por força da publicidade estatal, direcionamento em entrevistas, entre outras ações. Como disse no início deste texto, são ações de governo de diversos partidos em diversos estados. Alguém que queira debater censura de verdade tem que ver isso aí. Se não, as Rainhas de Copas continuarão acionando as guilhotinas.

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S’il vous plait, Salvador

– Excusez-moi!

– Hã? Tá me xingando?

– Vous ne parlez pas français?

– Rapaz, você tá me tirando!

– Conseillers, obtenir ce mec là, il n’a pas le berceau

O pequeno diálogo reproduzido aí em cima é fictício, mas não me espantaria se, daqui a poucos anos, estejamos vendo-o sendo reproduzido aqui mesmo em Salvador, capital da Bahia. Quem são as pessoas? Um é o baiano que diz amar o povo, mas o quer amestrado, domesticado, reproduzindo regras e procedimentos que considera ser os mais apropriados. O outro é um baiano comum, que, agora, além de tudo tem que conviver com regras de etiqueta legais que querem enfiar goela abaixo a partir dos poderes públicos.

Vimos, recentemente, a deputada Luiza Maia (PT) propor a Lei Antibaixaria. Ali, apesar de todo discurso justo e bem fundamentado da parlamentar sobre a violência contra a mulher ser enaltecida em muitas daquelas letras, tinha por trás o preconceito contra manifestações populares (visto como grotescas, popularescas, etc), mas que são produtos das realidades culturais das pessoas que as cantam, dançam e consomem.

O projeto da petista acaba sendo mais branda do que a dos DJs de Buzu, porque se trata de proibir verba pública para financiamento do que o Estado vai considerar ser agressão a gays, negros e mulheres. Apesar de algumas peculiaridades dos argumentos da deputada terem sido de assustar. Por exemplo, nesta discussão, se Mário Lago estivesse vivo, sua Amélia (também produto de uma época) estaria proibida de ser tocada em festas públicas.

Pra quem não sabe, tramita na Câmara de Salvador um projeto que proíbe a execução de músicas em sons mecânicos pelos chamados DJs de Buzu. Pra mim, é o Estado querendo mudar, na marra, um hábito. Com este argumento, estou defendendo a falta de educação e o barulho nos ônibus? Obviamente, que não. Só quero saber até quando os políticos de cá e de lá vão preferir soluções simples do que ter a coragem de tomar soluções mais complexas.

Por que em vez de educar, dialogar, entender esses traços culturais que estão ao seu redor, nossos políticos e outros tantos, que nem perto de ônibus passam, preferem dizer o que seus usuários devem fazer sob pena de serem multados? Aposto que, se perguntarem, o que incomoda mais: o ônibus sem conservação ou os DJs de Buzu, a resposta vai ser, majoritariamente, a primeira opção. Sem contar, o fato de ser uma lei com toda a cara e jeito de ser inócua. Quem vai fiscalizar essa bagaça?

Sem contar que gente barulhenta tem em todo canto. Aqui, em minha casa, não consigo ver TV na sala direito por causa dos carros de som que passam a todo o momento. Vão proibir os carros de som? Nos ônibus, me incomodam na mesma medida que os DJs de buzu, os pregadores. Vão proibir os pastores de buzu? E as canetas dos camelôs que vêm falhando? Quero já uma lei anti-caneta que falha. Deixo com vocês, Riachão:

P.S: Isso é fruto da união surreal da esquerda marxista clássica, que nunca deu muita importância à cultura, achando-a mero reflexo de uma base econômica, com o elitismo cultural de direita, que vira o nariz para o que é popular. Entretanto, não faz mal reconhecer que educação não vem com punição pecuniária.

P.S²: Como admito as minhas ignorâncias, confesso que o diálogo descrito, no início desse texto, foi construído com a ajuda do Google Translate. Caso alguém tenha uma correção a fazer, agradeço.

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Casseta & Planeta “Vai Fundo”: Sem sono e sem graça

Depois de um ano sabático, reestreou ontem na TV Globo, o Casseta & Planeta, que deixou de ser “Urgente” para ser “Vai Fundo”. No primeiro programa, a promessa de ir fundo no mundo das celebridades. Lógico que a pretensão era fazer esta incursão de uma forma engraçada, mas faltou certa dose de humor. Sem sombra de dúvida, o programa deixou o ritmo sonolento com que estava nos últimos anos, mas ainda há um claro descompasso entre o que eles acham engraçado e o que faz rir de verdade.

Favoreceram o fim da sonolência as gravações na rua, fugindo da dinâmica anterior de quadros repetitivos com personagens sem graça. Hoje, o público era o foco, apesar de apenas uma dessas entradas ter me feito rir. Um quadro Calçada da Fama, em que uma pessoa que passava pelo shopping topou pagar um mico para entrar na “Calçada da Fama”. Uma entrada em quatro, mas tem potencial se melhor explorada. Lembro das gravações na rua no início do “Urgente”, que reproduziam, de fato, a ideia deles de “jornalismo mentira, humorismo verdade”.

As participações de artistas também foram limitadas. Resolveram colocar cinco de uma vez só e, mais uma vez, apenas um teve êxito (e mesmo assim, pela metade). Me refiro ao quadro Mona Lesa, feito pela atriz Miá Mello. O quadro tem uma ligação direta ao quadro que Miá tinha no Legendários, mas a entrevista que ia muito bem, desandou no final, acabando com um Marcelo Serrado, visivelmente, constrangido ao ser perguntado se está pra se casar com um homem. (Até quando essa mistura entre personagem e ator?)

Antes de falar das novas participações, tenho que dizer que as antigas referências ao “Urgente” – quadros gravados com eles fazendo personagens, ou ainda Suzana Vieira utilizando um produto de acabar com paparazzi, no melhor estilo Tabajara – não funcionaram. A resenha irônica das notícias da semana também pode ser muito melhor. A melhor coisa desta volta dos Casseta à TV foi Gustavo Ribeiro imitando a presidenta Dilma Rousseff. Foi ainda melhor do que os vídeos do humorista no Kibeloco.

Nessa volta, o Casseta me fez rir mais do que nos últimos cinco anos somados. Pode ser um bom sinal (ou não). Eles conseguiram alcançar 15 pontos de audiência, dentro da média dos programas exibidos no horário, na sexta-feira. Que consertem os erros e prossigam. O Casseta já foi um excelente programa de humor na TV. Com os novos membros, pode voltar a ser.

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