Skip to content


Obama faz discurso histórico no Cairo

É muito mais fácil, sem sombra de dúvida, elogiar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, do que criticá-lo. As críticas são necessárias, inclusive, quando ele titubeia em relação à política repressora de George W. Bush. Lula até mencionou isto na sua recente viagem à América Latina, pontuando as dificuldades que o seu colega estadunidense tem perante o Congresso do seu país. Qualquer semelhança não é mera coincidência, presidente, mas voltemos ao tema deste post.

Obama fez um discurso histórico hoje no Cairo defendendo a criação do Estado palestino. Disse o presidente que tem Hussein no nome: “A América não irá virar as costas para as legítimas aspirações palestinas por dignidade, oportunidade e um Estado próprio”. Exatamente presidente, são legítimas, justas e necessárias as reivindicações dos palestinos. O presidente foi adiante, apesar de reafirmar o vínculo com Israel, disse que o governo daquele país deve parar de fazer assentamentos na Cisjordânia, ocupando território, originariamente, destinado à Palestina.

Este novo posicionamento do governo norte-americano coloca Israel numa posição de isolamento, pois aquele país não reconhece o anacronismo de não aceitar a implementação de um direito dos palestinos. Não cabe, há muito tempo, o argumento de que o Estado palestino será uma ameaça ao israelense. O discurso de Obama, como se esperava, foi prontamente saudado pelo porta-voz palestino e muito aplaudido na universidade do Cairo. O presidente estadunidense, no entanto, não se ateve apenas à questão da Palestina.

Disse também que é hora de “um novo começo entre os Estados Unidos e os muçulmanos através do mundo, um começo baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo, um começo baseado nesta verdade de que os Estados Unidos e o islã não se excluem”. Citou o Alcorão e arrematou: “”Enquanto nossas relações forem definidas por nossas diferenças, vamos fortalecer aqueles que semeiam o ódio no lugar da paz e que promovem o conflito no lugar da cooperação que poderia ajudar todos os nossos povos alcançarem a Justiça e a prosperidade. Este ciclo de suspeitas e discórdia precisa acabar”.

É este o caminho presidente. É preciso entender que as diferenças continuarão existindo, mas que as trocas que podem sair da existência destes dois lados – o mundo islâmico e o mundo ocidental – é fundamental para a construção da paz no Oriente Médio. O reconhecimento de que é necessário um novo começo entre um país, que não se furtou a apoiar Israel mesmo nos momentos em que os homens a frente daquele Estado estavam errados, e os palestinos extrapola o plano do simbólico e atinge o plano material, pois se trata do reconhecimento de um posicionamento errado por parte de um dos países mais poderosos do mundo.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments

Posted in Política Internacional.