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Nelson Jobim vai continuar na Defesa

Acabo de ler a notícia que está confirmada a permanência do ministro Nelson Jobim (PMDB) a frente do Ministério da Defesa. Dizem ainda os jornais que foi uma sugestão do presidente Lula, aceita pela presidenta eleita Dilma Rousseff. Decisão surpreendente porque, dizem, nos bastidores, que Dilma e Jobim se detestam.

Lula teria argumentado, entretanto, que Jobim tem bom trânsito nas cúpulas militares e que seria importante mantê-lo por causa do processo de compra dos caças e pela reestruturação que está sendo feito no Ministério com a criação, inclusive, de novos cargos.

Jobim foi convidado a permanecer no gov. Dilma (foto: Ueslei Marcelino/ Folha Imagem)

No entanto, na minha opinião, a manutenção de Jobim aponta para outra situação: a Defesa vai continuar sendo uma pasta que não cumpre o seu principal papel: exercer o poder civil sobre os militares. Parece sempre que o ministro (e isto não é uma exclusividade de Jobim) tem que assumir o ponto de vista dos militares para ficar no cargo.

Depõe ainda contra Jobim o seu posicionamento equivocado em relação à abertura dos documentos da Ditadura Militar e ao julgamento dos torturadores. O ministro foi à imprensa defender a tese de que a anistia teria abrangido os militares, contrariando uma recomendação das Nações Unidas sobre o tema. Irônico que permaneça no governo de uma pessoa que foi torturada.

Além destes motivos, acho, no minímo, estranho ficar no governo alguém que não vai com a cara da presidenta e ficou publicamente em cima do muro no processo eleitoral. Ricardo Setti, da Veja, chegou a dizer que Jobim seria o único ministro do novo governo que não teria votado em Dilma. Este será o terceiro governo que contará com a participação de Jobim: ele também foi ministro da Justiça no governo FHC.

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