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Lula acerta ao fazer acordo com o Irã

Após acordo, Lula aparece ao lado do iraniano Ahmadinejad e do primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan (foto: AP)

Que me desculpem as aves de mau agouro, mas eu vi com muito bons olhos o acordo firmado ontem pelo presidente Lula, Turquia e Irã sobre a energia nuclear deste último. Concordo com a ONU que o acordo ainda precisa ser melhor esclarecido, mas o ponto principal, mais divulgado, é que o Irã vai enviar boa parte de sua produção atômica para ser transformada em energia e insumo para remédio na Turquia. Ainda não é hora de jogar chuva de confete, mas deve ser visto, sem dúvida como um primeiro passo, importantíssimo, para distensionar aquela região.

Ontem, vi a entrevista de um professor de Relações Internacionais da USP, no Jornal da Globo, dizendo entender natural que países como Paquistão e Índia tenham armas nucleares pelas ameaças as quais estão submetidas pelas nações vizinhas. Utilizando este argumento, não entendi o porquê do Irã ficar excluído “deste direito”. Não é um país tão ameaçado quanto os outros dois? Inclusive, em termos de estabilidade política e social, acho o Paquistão muito mais instável, vide o assassinato recente da primeira-ministra Benazir Bhutto.

A reação dos Estados Unidos e dos países europeus em condenar o acordo, infelizmente, já era esperada. Os Estados Unidos assumem uma posição belicista do mundo há muito tempo e esta foi uma lógica que o presidente Barack Obama não quis e nem parece querer romper para não bater de frente com a indústria armamentista do seu país. Até parece o Brasil quando se trata de temas relacionados à Ditadura, em que não dá um passo adiante para não ofender os golpistas e seus herdeiros. O ideal seria nenhum país do mundo possuir arma nuclear, mas soa falso logo a nação que possui o maior arsenal atômico do mundo ficar gritando contra o programa nuclear dos outros.

Discordo ainda desta história de que a guerra faz parte da política ou ainda de que as sanções diplomáticas são o melhor caminho para resolver o problema iraniano. A guerra não faz parte da política, ela é acionada exatamente quando falha a política. Política é negociação, conversa, acordo. Foucault, em A Microfísica do Poder, diz que exercemos política nas relações micro. Experimente agora resolver todos os seus problemas pessoais na base do murro e/ou da proibição. A espécie humana evoluiu da barbárie utilizando a política. Brasil e Turquia acertam ao recorrer a ela para resolver este problema.

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