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JH e sua ideia fixa: Miami

O atual prefeito de Salvador, João Henrique (PP), deixou a todos impressionados com a desenvoltura mostrada no Carnaval (beijo na boca, tatuagem no braço, pulando todos os dias em blocos, camarotes e “pipoca”). Alguns elogiaram, mas, a imensa maioria desaprovou a saída de linha do prefeito. Desaprovação de todo o tipo: moralista, psiquiátrica, religiosa e política. Há quem tenha destacado o fato do gestor ter ido à pipoca. Pipoca com dois seguranças, meus caros, é pop corn experience.

Um setor ficou, especialmente, chocado com que viu: os evangélicos. Conversei com alguns depois do carnaval e estão todos abismados com a mudança. Os mais tranquilos têm dito que o prefeito nunca foi evangélico, que, na verdade, é um fariseu, que apenas buscou o voto desse setor quando foi conveniente e, agora, desbunda. Por isso, digo, essa história de misturar religião com política nunca dá muito certo.

No meio da folia, João Henrique deu uma esclarecedora entrevista para a TV Câmara. Disse ele com todas as letras que “as forças do atraso” querem evitar que Salvador seja uma Ipanema, uma Copacabana, uma Miami. Chamou os integrantes do movimento Desocupa de “desocupados” – uma troca de palavras bastante inteligente, ressalte-se, acho que meu primo de três anos não seria capaz de elaborá-la – e mostrou estar muito satisfeito com sua gestão, que deixa apenas uma cicatriz urbana, o Aeroclube. Hãrã.

João Henrique tem ideia fixa por Miami, não perde uma oportunidade para citá-la. Na campanha eleitoral de 2008, ele prometeu deixar a orla de Salvador como a orla de lá. Cheguei a dizer, na época, que me bastava que Salvador ficasse com uma orla igual a de Fortaleza, que é aqui do lado, que já estava de bom tamanho, mas ele gosta é de Miami. Não fez nem uma coisa, nem outra.

Ele diz também, na mesma entrevista, que a orla de Salvador estava favelizada e que o novo boom imobiliário da região deixará a orla de Soterópolis tão bonita como as das cidades citadas por ele. E eu achando que a beleza da orla do Rio de Janeiro estava nas mulheres, na tranquilidade em andar por lá de madrugada, pelo fato de ter barracas no calçadão, pelas praias serem limpas, os banheiros funcionando. Nada disso, para João, a beleza está no concreto.

Concreto este que tem descaracterizado a Cidade da Bahia. Avançar não significa destruir. Construir prédios não tem que vir com autorização para se fazer o que quer, como quer, quando quer e onde quer. Essa ideia de que tudo se pode em nossa capital é o que tem a impedido de seguir adiante. Salvador tem todo o potencial para entrar no século XXI mantendo aquilo que a define (e não vou descrever aqui o receituário da baianidade nagô, porque não é disso que se trata).

Esse salvo conduto para desvios explica o esforço de parte de assessores do prefeito de transformá-lo em vítima no processo de votação das suas contas. O prefeito teve duas contas rejeitadas pelo TCM, não acatando sugestões feitas pelo Tribunal no julgamento anterior, e a culpa agora são das forças do atraso que querem evitar que o excepcional gestor concorra em 2014? Se assim agem, bem o fazem. Por que João Henrique tem que ficar livre para tocar adiante o seu projeto político mesmo identificadas constantes irregularidades nas suas contas?

Veja abaixo a entrevista de João Henrique:

Prefeito João Henrique no Carnaval 2012 from TV Camara Salvador on Vimeo.

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