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IVC e novos paradigmas para o jornalismo

Começaram a sair hoje os primeiros números do Instituto Verificador de Circulação (IVC) e a grande novidade é que o jornal Folha de S. Paulo, por anos o jornal com maior circulação do país, perdeu o posto para o Super Notícia, de Minas Gerais. O Super Notícia é um jornal popular, que custa R$ 0,25. Do jornal, só conheço isso, mas pude perceber que as pautas destacadas na capa não fogem à lógica dos novos jornais populares que têm aparecido como o Meia Hora, do Rio e São Paulo, Massa, aqui da Bahia, entre outros.

Capa do Super Notícia

Meu amigo Felipe Paranhos (@felipeparanhos) fez logo uma análise rápida do que isto significa e eu concordo completamente: a falência do jornal tradicional. As pessoas não desistiram de ler jornais, mas querem as informações de uma forma diferente. Ficar defendendo um jornalismo hermético, fechado, pensado para construção de uma esfera pública habermasiana parece um grande erro.

É fato que as pessoas não se interessam apenas pela pauta política. Inclusive, o que convoca a maioria dos leitores (arrisco dizer) a ler um jornal, em qualquer lugar do país, é o caderno de esportes, de polícia e os classificados, o que impõe um desafio a nós jornalistas de manter a nossa profissão, mas sem temer se arriscar. E arriscar significa defender a observância do que caracteriza o jornalismo, como a defesa do interesse público, sem deixar de perceber que se pode fazer isto de uma outra forma.

Tenho defendido, inclusive na minha monografia, que o entretenimento é um destes lugares com os quais o jornalismo pode se relacionar sem perder a sua essência. Temos excelentes exemplos disto como O Pasquim no impresso, o CQC e o Profissão Repórter na TV, que, ao utilizar o discurso de mostrar os bastidores da notícia, aposta em uma das características mais comuns de produtos do entretenimento como DVDs de filmes, shows, entre outros. Além de se comunicar com os realities shows.

A exclusão do entretenimento como um campo com o qual o jornalismo pode ter relações sem se deteriorar foi estratégia de uma certa concepção do jornalismo que tem caído por terra ao se constatar números como este revelados pelo IVC. Vai ter quem diga que o jornalismo popular, feito por Super Notícia e afins, é ruim. Compreendo e concordo com a necessidade de se fazer uma discussão ética do jornalismo feito no jornalismo popular sem, no entanto, ignorar a completa rejeição que se construiu em relação ao que vem do povo.

Mascarar o crescimento deste tipo de jornal com o discurso, às vezes, falacioso, de que se faz um jornalismo ruim é argumento de quem quer fechar os olhos para as mudanças e para a nossa realidade sócio-cultural. Até porque não considero que o jornalismo feito pela Folha seja isento de erros. Alguns, inclusive, com claras ameças à construção da democracia brasileira, como a de classificar a nossa ditadura como ditabranda.

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