Skip to content


Irã, Brasil e o apedrejamento de Sakineh Ashtianti

O presidente Lula hoje durante a reunião do Mercosul, ao ser questionado por jornalistas, abordou o tema internacional em que foi inserido esta semana: a condenação a pena de morte por apedrejamento de uma mulher iraniana por adultério. O presidente Lula parece ter entrado de gaiato no navio, após ter recebido uma pressãozinha da “opinião pública” brasileira pedindo a intervenção dele por Sakineh Ashtianti.

Para entender o caso: Sakineh Ashtianti foi condenada por ter se relacionado com dois homens, após a morte do seu marido. Ou seja, já era viúva, mas, para o Irã, isto não basta (Também critico, mas é este o entendimento). E antes que me acusem de qualquer coisa, afirmo: não sou a favor de apedrejamentos e mutilações de genitália, como acontece em países africanos, mas reconheço que esta minha posição é resultado dos valores ocidentais da sociedade onde eu nasci e cresci e me causa espécie que nós ocidentais queiramos nos meter na forma que devem pensar os orientais.

Por que não nos escandalizamos com a pena de morte nos Estados Unidos e em outros países ocidentais? “Ah, mas os Estados Unidos são um país avançado, o Irã é uma Ditadura teocrática”, argumentarão alguns, como se isto tornasse um mais merecedor de fazer o que quiser do que os outros. E isto, para mim, só comprova a minha tese que a movimentação contra o apedrejamento de Ashtianti tem como fundo uma intolerância ao Oriente como um todo, aos muçulmanos, em particular, e ao Irã, ainda mais especificamente.

O que me espanta mais ainda é que parte das vozes que se levantam contra o apedrejamento de Ashtianti por motivações religiosas – e olhe que estamos falando no caso do Irã, reitero, de um Estado teocrático controlado pelos aiatolás – são aquelas que se posicionam contra a descriminalização do aborto e outros assuntos brandindo, exatamente, a bandeira religiosa – e olhe que estamos falando, no caso do Brasil, de um Estado laico.

Vemos em curso, atualmente, multiplicarem-se conflitos em todo o globo pela intolerância em aceitar o outro. Autores como Edward Said, Canclini e Martin-Barbero ajudam a pensar a relação existente entre identidade/alteridade. Afirmam eles que as pessoas, para fortalecerem a sua identidade, reforçam  as diferenças que possuem em relação àqueles que são diferentes. Para mim, é exatamente disto que estamos falando agora.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments

Posted in Política Internacional, Política Nacional.

Tagged with , , , , , , .