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Grande Revolução de 1964

Emílio Garrastazu Médici (foto: Folha)

Há exatos 47 anos, tinha início a Grande Revolução Democrática de 1964. Naquele ano, líderes civis como Carlos Lacerda se juntaram a líderes militares para impedir a instalação de uma Ditadura comunista do Brasil. As condições para isto estavam dadas, haja visto que o presidente daquela época, João Goulart, tinha iniciado a instalar os princípios da Revolução cubana no Brasil ao propor as reformas de base.

Não, vocês não estão loucos. Não, o Pitacos não foi hackeado. São coisas deste calibre que ainda hoje milhares de estudantes aprendem nos Colégios Militares. Lá, não se fala de Ditadura. Lá, não se menciona golpe. Lá, nada passou de uma ação preventiva contra a sanha do presidente João Goulart e os militantes de esquerda. A Grande Revolução de 1964.

Toda vez que chega esta data, eu fico me perguntando até quando vamos manter os nossos arquivos em sigilo? Até quando membros do Exército que torturaram, assassinaram e esconderam os corpos de guerrilheiros, estudantes e militantes ficarão impunes e com a consciência “tranquila” por considerarem que foi cumprido o dever de manter a ordem nacional? Aliás, polícias e colégios militares ainda fazem sentido? E o alistamento obrigatório?

Não acho que defender a punição dos torturadores (a tortura é crime de lesa-humanidade, imprescritível) seja mero revanchismo. Nossos vizinhos latino-americanos estão anos a frente de nós e há muito tempo começaram a passar a limpo o seu passado. Não há como fechar as cicatrizes daquele período enquanto as dúvidas do paradeiro dos corpos e as minúcias daqueles anos ficarem escondidos na memória dos militares vivos e consumidos pelo bolor dos arquivos das Forças Armadas. Aproveitemos o governo da presidenta ex-guerrilheira Dilma Rousseff (PT) para fazer mudar.

Presidenta Dilma (foto: Renato Araújo/ ABr)

Mais espantoso do que um Jair Bolsonaro (PP-RJ) é a existência de milhares de pessoas que votaram nele (mais de 120 mil). Ainda mais amedrontador é o fato de um Marco Feliciano (PSC-SP) se sentir no direito de chamar negros de amaldiçoados por, supostamente, descenderem de um ancestral gay. Como se gay e negro fossem a marca registrada do pecado. Até quando vamos fechar os olhos para a intolerância?

Gays espancados, jovens negros assassinados pela nossa violência urbana e pelo Estado repressivo, mulheres massacradas pelos seus parceiros misóginos. Toda a intolerância tem como marco fundador a repulsa do que é diferente. Daquilo que, historicamente e culturamente, tem sido visto como subalterno. Mudar isto é o desafio que se impõe às pessoas, verdadeiramente, democráticas. E, nesta nova realidade, não terão espaço Clubes Militares, Bolsonaros, Felicianos e Curiós.

Nos links, vídeos do excelente Conexão Repórter sobre o Golpe Cívico-Militar de 1964: 1ª parte e 2ª parte

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