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Falsa Hegemonia do PT

Hegemonia, em Gramsci: dominação através da coerção e coesão. Dominação através de um complexo entrecruzamento de forças políticas, sociais e culturais. O interessante para os setores dominantes é a coesão, mas eles não se furtam de utilizar a coerção.

Talvez um dos conceitos mais surrados e mal utilizados, atualmente, seja o conceito de hegemonia. A moda, agora, é dizer que o PT tem a hegemonia no País; que corremos o risco de uma PRIzação (como se contextos sócio-políticos, culturais e históricos de países distintos pudessem ser transferidos com esta facilidade). O problema, se adotarmos o conceito de Gramsci de hegemonia, é pensar que o PT tenha suplantado as forças hegemônicas que, de fato, dominam as relações sociais no Brasil através da coerção e da coesão.

Longe disto. O PT hoje aplica um receituário mezzo esquerda mezzo liberal que convive de forma, razoavelmente, harmônica com as verdadeiras forças detentoras da hegemonia no Brasil. O máximo que o PT fez durante os seus nove anos na Presidência foi tencionar um pouco a hegemonia a partir do momento em que apostou em aprofundar o alcance e a importância dos programas sociais.

O governo não consegue vencer a disputa ideológica com os conservadores (nem faz essa disputa). Nós vimos o que aconteceu com o ministro Gilberto Carvalho que, de maneira correta, afirmou que a disputa de ideias pela classe média deve ser feita contra os conservadores evangélicos. Foi chamado de “safado” por um senador da República em plenário, tendo que voltar atrás logo em seguida. A sociedade brasileira é conservadora, sofrendo, em alguns momentos, alguns sobressaltos rapidamente incorporados pela hegemonia. A hegemonia não é imutável.

Essas análises sobre a “hegemonia petista” parecem ser ranço com o PT. Tudo que petistas sugerem é rapidamente tachado como censura (ou parte de um projeto de controle hegemônico do País). A Fenaj sugere um Conselho Federal de Jornalismo, o Governo brasileiro endossa, donos de TVs e jornais gritam: “censura” e colegas ecoam. O PT sugere um marco regulatório tal qual existe em outros Países, outra vez gritam censura e, novamente, caminhamos para rejeitar uma medida importante para a comunicação brasileira por ser sugestão petista. Eu prefiro acreditar que nem o PT querendo (e, de fato, alguns dirigentes da legenda não colaboram, adotando discursos stalinistas), a democracia brasileira está sob ameaça. Alguns apostam no contrário. Me preocupo mais com isso aqui.

No entanto, finjamos concordar com a deturpação conceitual e que, ao se referir à hegemonia, jornalistas e políticos estejam se referindo ao fato da pretensão (legítima, diga-se de passagem) do PT controlar o Governo Federal e expandir o número de prefeituras municipais. Ainda assim, me parece equivocado dizer que o PT tem o monopólio das forças político-eleitorais no País.

Vejamos: O PSDB é o partido com a maior quantidade de estados: oito. O segundo é o PSB, com seis. Empatados em terceiro, PT e PMDB, com cinco. O PMDB detém o maior número de Prefeituras, tendo conquistado 1203 cidades em 2008. O PSDB aparece em segundo, com 786 administrações. O PT surge na terceira colocação com 557 municípios, seguido de perto pelo PP, com 550. Não é à toa que o PMDB grita agora (também de forma legítima) com o PT. É interessante tachar o aliado de hegemônico (aproveitando o apetite de petistas pelos cargos de confiança), próximo à eleição deste ano, já que teme perder a sua maior força: a quantidade de cidades que permite, entre outras coisas, ser uma potência no Congresso.

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