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Exercitando a Futurologia – Eleição do Amapá

A política do Amapá, pelo menos nos seus anos mais recentes, tem girado em torno de três famílias: Sarney, Capiberibe e Góes. Quem quiser entender como se comportam os eleitores amapaenses tem que analisar levando em consideração a importância que estes três sobrenomes exercem sobre a política daquele estado.

A família Sarney, talvez o sobrenome mais conhecido dos três, atua no estado desde 1990. Naquele ano, o senador José Sarney (PMDB), após deixar a Presidência da República, resolveu trocar o seu estado de origem – Maranhão – pelo Amapá. Com a troca, Sarney expandiu a sua influência para o outro estado, mas deixando lá representantes seus. A atual governadora é sua filha Roseana Sarney (PMDB). A estratégia do ex-presidente tem dado certo, pois ele conseguiu se reeleger, no Amapá, em 2006 – apesar de não ter sido muito fácil – e leva para onde quiser o PMDB amapaense.

Pedro Paulo, apoiado pelos Góes, deve se reeleger no Amapá (foto: Blog do Pingarilho)

O atual presidente do Senado tem ainda o apoio de outros políticos do Amapá, como o do também senador Papaléo Paes (PSDB), que, na eleição para presidente do Senado, contrariou a orientação da sua legenda e votou em Sarney. O senador maranhense ficou tão agradecido que fez o seu PMDB apoiar o presidente da Assembleia do Amapá, Jorge Amanajás (PSDB), para o governo do estado.

A segunda família que eu citei, os Capiberibe, tenta voltar ao governo do estado agora com a candidatura do deputado Camilo Capiberibe (PSB), filho do ex-senador João Capiberibe (PSB), que tenta voltar ao Senado. Capiberibe conta com o apoio do PT e, apesar dos petistas terem governado Macapá até recentemente, o paréo vai ser duríssimo por causa da terceira família: os Góes.

Os Góes, entre as três famílias, é a que entrou mais recentemente na política do Amapá e tem conseguido excelentes resultados naquele estado. Waldez Góes (PDT) era governador até o início deste ano e é o candidato líder ao Senado. Roberto Góes (PDT), seu primo, é o atual prefeito de Macapá, tendo ganhado a disputa com Camilo Capiberibe. E Alberto Góes, outro primo de Waldez, é candidato a vice na chapa do atual governador, que era vice de Waldez, Pedro Paulo (PP).

Considero Pedro Paulo, apesar de ter aparecido em último na única pesquisa IBOPE sobre a disputa daquele estado, divulgada há um mês, o candidato favorito. Por ter o apoio de Waldez que lidera a disputa para o Senado, por ter o controle da máquina do governo do estado e por ser aliado de Lula, que todo mundo sabe que tem ajudado bastante nestas eleições. O outro candidato Lucas Barreto (PTB), atual líder, deve cair por não ter o apoio de nenhuma das grandes famílias do Amapá e nem o apoio dos grandes partidos.

Atualização às 23:31 do dia 11 de setembro: Quem diria que após esta futurologia o governador Pedro Paulo seria preso? Ele, o ex-governador Waldez Góes, e outros membros de vários poderes do Amapá estão sendo acusados de desvio de verbas do FUNDEB. O nome do adversário de Pedro Paulo, Jorge Amanajás, também entrou na lista de suspeitos. Sendo assim, está furada minha futurologia. Vamos ver se Capiberibe e Barreto vão se beneficiar de alguma forma.

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