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Exercitando a Futurologia – Eleição de Minas Gerais

Quem quiser entender o que vai acontecer na eleição de Minas Gerais este ano tem que ter em mente uma pessoa: Aécio Neves. Tudo que se refere à disputa naquele estado passa pelo ex-governador e senador virtualmente eleito. O virtualmente é apenas em respeito ao processo democrático do dia 3 de outubro, mas não há uma só alma que acredite não ser do tucano uma das cadeiras mineiras a partir de 2011.

Em Minas, vitória será de Aécio e Anastasia (foto: Blog do Aécio)

Feito todo este preâmbulo, me parece elementar afirmar que o próximo governador das Minas Gerais será o candidato de Aécio, Antonio Anastasia (PSDB). Lá, as pessoas votam em Anastasia porque não podem dar um terceiro mandato ao seu padrinho político. E, por que Aécio conta com tamanha popularidade em Minas? Por ter misturado com êxito boa administração, carisma, resgate da auto-estima dos mineiros e controle da imprensa.

Sem sombra de dúvidas, os mineiros voltaram a sentir, no governo Aécio, que são peças importantíssimas no jogo político nacional. Eleitoralmente, nunca perderam esta importância, mas simbolicamente, desde a presidência de Itamar Franco não tinham tamanha estatura. Todos afirmam e eu concordo que, em um eventual governo Dilma, Aécio será um dos líderes da nova oposição, seja no PSDB ou em outro partido.

Andrea Neves (foto: Blog Amigos de Andrea Neves)

Para mim tão importante quanto este resgate da auto-estima dos mineiros foi o controle da imprensa mineira. É óbvio que se trata de um artifício ruim, mas é inegável que ele tenha acontecido na gestão Aécio. Pegue-se os principais jornais daquele estado e não se lerá uma crítica sequer ao governador. Pipocam aqui e acolá acusações de que a responsável por tanta boa vontade é a irmã do governador Andrea Neves, que teria, entre outras coisas, exigido a demissão de jornalistas críticos ao seu irmão.

Dito tudo isto, alguém pode perguntar: Aécio é maior do que Lula em Minas? Não acho que seja o caso. O que acontece em Minas é uma aprovação muito grande aos dois gestores. O voto Lulécio aconteceu em 2002, se repetiu em 2006 e volta a acontecer agora, transfigurado em Anastadilma e não parece que nenhum dos dois – Lula e Aécio – estejam realmente incomodados com isto. Sobraram nesta equação o candidato tucano à Presidência José Serra e o candidato do PMDB, Hélio Costa.

Costa nem poderá reclamar. Afinal de contas, Lula deu a ele o PT, foi a Minas, fez críticas a Aécio, mas não há quem possa agir contra a cabeça dos eleitores. Faz parte. Além disto, o PT não vai admitir nunca, mas está dividido e boa parte da legenda lava as mãos em relação ao peemedebista. Queria ter candidato próprio, mas foi tragado pela força das circunstâncias, em prol da aliança nacional com o PMDB. A cada dia que passa, fica mais evidente que Costa liderava as pesquisas pelo seu recall de ter sido candidato ao governo e ao senado.

Nos últimos dias de campanha, o empenho do PT deverá ficar restrito à eleição do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel ao Senado. O petista já se aproximou do ex-presidente Itamar Franco (PPS) e tem grandes possibilidades de levar uma das vagas. Entre oito anos no Senado e oito anos como vice de Costa, possibilidade cada vez mais remota, não tenho dúvidas do que o PT vai priorizar.

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