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Exercitando a Futurologia – Eleição da Bahia

Até 2006, a política baiana tinha poucas cores, na verdade, possuía duas cores. De um lado, estavam os carlistas e do outro, os anticarlistas. É também verdade que, entre os anticarlistas, existiam grupos políticos muito diferentes: a esquerda – PT e PCdoB – o PSDB de Jutahy e o PMDB de Geddel. Os dois grupos, na verdade, eram o retrato mais recente da dicotomia que marcou a política baiana desde os anos 30 do século XX. Já tivemos os anti e os pró-Lomanto, Balbino e Juracy Magalhães.

Pois bem, em 2006, voltaram a assumir o governo do estado, os anticarlistas, liderados pelo atual governador Jaques Wagner (PT), bastante favorecidos pela popularidade do presidente Lula e pela perda de espaço que os carlistas iam experimentando desde 2003, quando Lula assumiu o poder. O cientista política Paulo Fábio Dantas credita a esta perda de espaço nas representações do Governo Federal no estado um dos principais motivos para a derrota nos carlistas na disputa pela prefeitura de Salvador em 2004, quando César Borges, ainda no PFL, perdeu para João Henrique, candidato do PDT e, posteriormente, o fracasso no pleito estadual de 2006.

Os anticarlistas estavam distantes do governo do estado desde 1990, quando ACM sucedeu o governo Waldir Pires/Nilo Coelho. Pires, que havia sido eleito pelo PMDB, tinha deixado o governo para Coelho para ser candidato a vice na chapa presidencial de Ulysses Guimarães, também do PMDB. A iniciativa foi bastante criticada e permitiu a vitória de ACM, que já havia governado o estado outras duas vezes durante o Regime Militar.

Apoiado por Lula e bem avaliado, Wagner deve ser reeleito em outubro (foto: Roosewelt Pinheiro/ ABr)

A consequência mais notável da vitória de Wagner é a mistura de carlistas e anticarlistas, com representantes das forças que giravam em torno de ACM participando das três principais chapas na disputa eleitoral deste ano. Otto Alencar (PP) é o candidato a vice da chapa de Wagner, Paulo Souto (DEM) é o candidato da maioria das pessoas daquele grupo político e Geddel Vieira Lima (PMDB), que, apesar de ter rompido com o ex-senador, iniciou a sua trajetória com aquelas forças e tem César Borges (PR), ex-governador carlista, como um dos seus candidatos ao Senado.

A vitória de Wagner permitiu ainda a ascensão de uma terceira força política no estado, representada pela candidatura de Geddel. O peemedebista conseguiu fortalecer a sua agremiação após ter apoiado Wagner em 2006 e ter recebido o apoio deste e de membros nacionais de sua legenda para ser o ministro da Integração Nacional. Além do cargo nacional, os peemedebistas possuíam duas secretarias estaduais estratégicas e um sem-número de cargos pelo interior. Até que veio a ruptura em 2009.

Apesar da existência de três nomes, o franco favorito para vencer a disputa de outubro é o petista Jaques Wagner. Ele conta com dois fatores muito importantes que agem decisivamente para a escolha do eleitorado baiano: a forma que é avaliado o governo estadual e o apoio do hiperpopular presidente Lula. 51% dos entrevistados avaliam o governo Wagner como ótimo/bom e Lula tem dado apoio ostensivo à reeleição do governador, tendo manifestado este apoio no horário eleitoral e nos comícios que fez em Salvador e em Recife.

Há ainda uma tendência do eleitorado em prosseguir com as gestões petistas no governo estadual e no federal, sendo outro elemento a contar a favor de Wagner. Apesar do pé atrás que temos com as pesquisas, elas mostram o petista ampliando a sua vantagem sobre os adversários, Souto estagnado ou em queda no segundo lugar, e um crescimento tímido de Geddel. Cabe a ressalva que nenhuma pesquisa mostrou a virada de Wagner, mas havia um crescimento constante do petista rumo a Souto, o que não se percebe ainda com nenhum dos adversários do governador.

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