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Rede Blogs – Eleições 2014: Entrevista Renata Mallet (PSTU)

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Comprometidos com a valorização da política, da democracia e da compreensão das necessidades e demandas da sociedade brasileira Alex Hercog, Thiago Ferreira e Mailson Ramos, blogueiros e produtores de conteúdo, uniram seus sites com o intuito de entrevistar os candidatos aos cargos eletivos para o governo do Estado da Bahia, ao senado e a deputado estadual e federal. Foram enviadas perguntas para as assessorias de todos os partidos em disputa e as respostas serão gradativamente publicadas até o dia da eleição.

O Pitacos do Manuca, o Opinião & Contexto e Blog do Kizumba, por suas características análogas em relação à publicação de artigos dos seus criadores e administradores resolveram criar uma rede de integração para divulgar as entrevistas e futuramente amplificar o relacionamento dos sites e das propostas de seus idealizadores. A Rede Blogs está no ar, tendo como principal objetivo democratizar o espaço de divulgação de propostas de todos os candidatos baianos, sem discriminação e com garantia de mesmo espaço para todos e, assim também contribuir para o eleitorado se informar e fazer a escolha que lhe for conveniente.

Seguimos em frente discutindo as demandas da sociedade brasileira e desempenhando, mesmo que em pequenas proporções, o nosso dever de cidadania.

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Renata Mallet (PSTU) (foto: Jornal Tribuna)

1. O PSTU baiano não tem conseguido eleger prefeitos, deputados, nem vereadores. Você aparece como uma das últimas nas pesquisas e sua chapa não possui coligações. O que justifica essa falta de representatividade do seu partido e como pretende se eleger ou governar estando isolada?

Infelizmente as eleições possuem uma engrenagem bastante antidemocrática. Tudo começa pelo orçamento de campanha. As grandes candidaturas possuem orçamentos milionários custeados pelas grandes empresas e usam esses recursos para fazer campanhas hollywoodianas centradas em vender uma “imagem ideal” dos candidatos e não propostas e um programa para mudar a vida das pessoas. Outro problema é a exposição dada pela grande imprensa. As grandes redes de TV priorizam as chamadas “candidaturas principais” e invisibilizam os outros candidatos para o público. No meu caso, a Band e a TV Bahia me excluíram dos debates. Isso contribui bastante para que partidos como o PSTU tenham pouca aparição.

Nossa perspectiva da política não é de “se dar bem”. Minha candidatura está a serviço de um programa que aponte mudanças de verdade na vida dos trabalhadores. Por isso sempre digo que minha candidatura é a única que tem coragem de dizer que tem um lado. No caso, o lado dos trabalhadores e das pessoas comuns, gente que trabalha duro como eu para pagar as contas no final do mês. Sempre me perguntam sobre a questão da governabilidade e eu sempre respondo com outra pergunta: O PT de Wagner e Rui teve a maioria absoluta na ALBA nesse último mandato. De que isso adiantou? Quais leis foram aprovadas em benefício dos trabalhadores e do povo?

Se eleita vou governar me apoiando nos trabalhadores, nos movimentos sociais e populares organizados em conselhos deliberativos. Por exemplo: Quem melhor do que os profissionais da saúde para decidir sobre as políticas e quanto será investido no setor? Queremos que esses profissionais possam tomar decisões junto com a governadora e os deputados, caso não concordem terão de se explicar, dizer porque são contra as políticas necessárias para mudar pra melhor a saúde. O mesmo vai acorrer com a educação, mobilidade urbana e segurança.

2. Por que PSOL e PSTU baianos não saíram coligados nas eleições deste ano, reproduzindo uma aliança que havia sido realizada em pleitos passados? Qual é a sua opinião sobre o candidato do PSOL, Marcos Mendes, e sobre o único vereador da legenda na capital baiana, Hilton Coelho?

Os critérios que usamos para conformação de coligações são diferentes dos usados pelo PT ou o DEM. Para eles impera tempo de TV e acordos sobre pastas num futuro governo, para nós o que pesa é o programa. Queríamos apresentar um programa que tivesse como ponto de partida as injustiças sociais da Bahia e uma saída que mudasse essa situação. Infelizmente as discussões com o PSOL foram insuficientes. No PSOL existem várias correntes políticas internas com interesses e perspectivas próprias sobre as eleições. Não foi possível conciliar todos esses interesses e nossa militância no Estado optou pela defesa de uma candidatura própria.

Marcos Mendes é um companheiro de luta. Estivemos juntos na última eleição para a diretoria do sindicato de bancários da Bahia onde saí candidata ao cargo de presidente e ele de vice. Tenho grande respeito por ele e sua candidatura. Meu compromisso nessas eleições é levar aos trabalhadores da Bahia a mensagem de meu partido: “Para mudar, é preciso um governo dos trabalhadores”. Não foi possível concretizar isso numa frente.

A Câmara Municipal de Salvador é um balcão de negócios onde os vereadores que fazem suas campanhas financiados pelas empresas retribuem esse “favor” durante o mandato. Hilton Coelho é, sob esta ótica, um “ilustre intruso”. Isso porque foi eleito sem receber dinheiro de empresário e tem usado seu mandato para denunciar os ataques de ACM Neto aos trabalhadores e a conivência dos vereadores.

3. Você acredita ser possível governar e emplacar projetos importantes, mesmo sem possuir bancada na Assembleia? De que forma?

Como já disse anteriormente, quero governar apoiada nos trabalhadores organizados nos movimentos sociais e populares. Cada projeto do meu governo será co-elaborado junto com estes setores. Se os deputados da ALBA forem contra terão de se explicar. Por exemplo, tenho defendido, e se eleita, será uma das minhas primeiras medidas, que o salário do governador e dos deputados sejam iguais aos de um professor. Quero dar um basta nos privilégios dos políticos! Se os deputados forem contra, terão de explicar porque o dinheiro que falta na saúde e na educação continua indo parar nos seus bolsos.

4. Em um possível 2º turno envolvendo Paulo Souto e/ou Rui Costa e/ou Lídice da Mata, a senhora cogitaria apoiar algum candidato?

Não. É uma questão de princípios e de coerência política. Tenho dito nas eleições que Souto, Rui e Lídice não vão mudar a vida dos trabalhadores e do povo porque governaram junto com os ricos. Basta acompanhar as prestações de contas dessas 3 candidaturas para ver que empreiteiras e o grande empresariado são seus principais investidores. Investidores mesmo, pois a nossa concepção é a de que empresa não faz doação de campanha, mas investimento. E esse investimento é retribuído depois das eleições com contratos superfaturados e corrupção.

Por denunciar essa questão do financiamento de campanha tenho sofrido duros ataques dessas três candidaturas. São diversas as tentativas de tirar meus programas do ar. Jamais poderia passar uma borracha e apoiar qualquer um desses três no segundo turno. Caso haja segundo turno, nós do PSTU iremos nos dedicar a dialogar com os trabalhadores e a juventude para não depositarem nenhum voto de confiança em nenhuma dessas três candidaturas.

5. Como seria possível contrariar interesses do setor imobiliário, das grandes indústrias e do grande empresariado sem desestabilizar a economia e gerar desemprego?

Essa é uma pergunta interessante. No governo, meu primeiro desafio será acabar com as isenções fiscais para as grandes empresas. Somente com ICMS, em 2013, o governo Wagner deixou de arrecadar 2,9 bilhões de reais. Vamos defender os interesses dos trabalhadores e não cederemos as chantagens das grandes empresas que exigem isenções em troca de se instalarem na Bahia. A Ford, por exemplo, veio para Bahia na época do carlismo com garantias de várias isenções fiscais que seguem até hoje com os governos do PT.

Mesmo assim, após todos esses anos acumulando lucros o salário médio pago a um operário em Camaçari é muito inferior ao que é pago ao operário que exerce a mesma função na planta da Ford no ABC paulista. Ou seja, essa lógica só beneficia o empresário que recebe isenção, lucra alto, e ainda paga baixo salário e demite quando bem entende com a conivência do governo do Estado. Vamos acabar com essa farra de isenções e também cobrar imposto progressivo sobre as grandes fortunas. Vamos usar esse dinheiro para investir em ações que melhorem a vida das pessoas

6. O seu partido defende um Estado forte. Quais medidas tomaria para seguir esse princípio e diminuir a intervenção do setor privado nas decisões do governo?

Precisamos enfrentar o problema das privatizações e das terceirizações. Cerca de 15% do orçamento do Estado é gasto com terceirização. Em 2013, os recursos destinados para terceirização – R$ 5,2 bilhões – superaram o orçamento para educação! É preciso dar um basta nessa situação. Abriremos um canal de diálogo direto com o funcionalismo público estadual para juntos tomarmos medidas que combatam o mal da terceirização e tenham como princípio a valorização do servidor público.

Acreditamos que para Bahia seguir em frente não precisamos de privatização. No nosso governo, aboliremos as chamadas PPPs (Parcerias Público-Privadas) que os governos do DEM e do PT que têm suas candidaturas financiadas pelas empreiteiras tanto defendem. Não entregaremos as obras necessárias para o desenvolvimento do estado nas mãos de empreiteiras que superfaturam os custos desviando recursos públicos para benefício próprio de políticos e empresários corruptos. Temos como projeto a promoção de um plano de obras públicas que construa escolas, creches, unidades de saúde e Hospitais. Com isso, vamos por um lado melhorar as condições de acesso à saúde e educação pública e, por outro lado, gerar novos postos de trabalho para combater o problema do desemprego que hoje atinge a taxa de 18% somente na região metropolitana de Salvador. Também fará parte desse plano de obras públicas o tema da mobilidade urbana.

7. Quais são suas propostas para a segurança pública? É favorável à desmilitarização das polícias militares?

Nós defendemos a desmilitarização da PM e a criação de uma nova polícia civil unificada sob controle dos trabalhadores. A estrutura policial brasileira é incapaz de resolver o problema da segurança pública. A mesma polícia que reprime os protestos com balas de borracha e bombas de gás é a que maltrata e, muitas vezes, assassina jovens negros na periferia. Até mesmo a ONU recomendou ao Brasil a desmilitarização da polícia. Não existem atalhos para resolver o problema da violência. É preciso desmilitarizar a PM, acabar com a criminalização da pobreza e o genocídio do povo negro. É preciso atacar as injustiças sociais e a desigualdade econômica.

8. A Bahia é um dos estados com maiores índices de violência contra LGBTs. Quais as suas propostas para o combate à homofobia?

Primeiro passo é aprovar uma lei estadual que criminalize a homofobia e fazer pressão para o que o PLC 122 seja aprovado em Brasília criminalizando a homofobia em todo território nacional. Não podemos mais ser tolerantes com a violência homofóbica. O governo do estado deve assumir a responsabilidade política pela promoção do combate a lgbtfobia. Na educação por exemplo, vamos procurar os movimentos LGBT’s para elaborar uma cartilha que será usada nas escolas da rede estadual. É dever dos governos fazer o contraponto ao preconceito

9. Em um eventual governo do PSTU, quais ações seriam tomadas em relação à publicidade estadual? Quais ações serão adotadas para democratizar a comunicação?

O debate sobre a democratização da comunicação é nacional e precisa ser aprofundado. Infelizmente, a grande maioria das pessoas não sabe, por exemplo, que as TVs são concessões públicas. Existem hoje grandes impérios midiáticos que dominam a opinião pública. Somos a favor de expor para os trabalhadores e os jovens as relações espúrias entre a grande mídia e os governos. Perdão de dívidas e renúncia fiscal são só a ponta do iceberg. Toda vez que ocorre uma greve ou manifestação contra aumento de tarifa vemos o papel que muitos órgãos da imprensa cumprem auxiliando os governos a colocar a população contra trabalhadores que lutam por seus direitos. Na greve dos professores em 2012, as redes de televisão, principalmente a TV Bahia, repercutiam todos os dias as salas de aula vazias e os prejuízos gerados pela persistência da greve colocando a responsabilidade nos professores. Essa atitude pode ser explicada pelo fato de que o governo do estado é um dos principais “anunciadores” da Rede Bahia, pagando fortunas todos os anos para suas campanhas publicitárias. Uma das tarefas de um governo dos trabalhadores é também romper com essa lógica.

10. Qual é o maior ponto positivo e o maior ponto negativo que você enxerga no governo Jaques Wagner? E nos governos carlistas passados?

Sendo bastante sincera, do Carlismo não gosto nem de ouvir falar. Acredito que esse deve ser o sentimento de milhares de trabalhadores, especialmente o funcionalismo, que sofreram muito durante os anos de chumbo do Carlismo. A Bahia do carlismo era a Bahia da farra dos ricos e da opressão aos trabalhadores e ao povo pobre. Como esquecer do fatídico episódio da invasão da faculdade de direito da UFBA pelas tropas da PM a mando de César Borges (na época do grupo de ACM e hoje aliado de Wagner)? Como esquecer do arrocho salarial ou das inúmeras greves sempre duramente reprimidas? Quem viveu os anos do Carlismo não deseja nem por um segundo seu retorno. Quanto a Wagner, fomos oposição desde o primeiro dia do seu primeiro mandato.

Wagner convenceu os trabalhadores que votando nele para derrotar o carlismo, a Bahia mudaria. O problema é que Wagner desde o começo buscou se aliar com antigos parceiros do Carlismo como é o atual vice- governador Otto Alencar. Também não nos esquecemos da aliança feita com Geddel. Wagner comprometeu-se com os empresários e acabou governando a Bahia priorizando os interesses desses aliados e não do povo trabalhador da Bahia. Após oito anos, somos a sexta economia do país, mas apenas o 22º lugar quando se trata dos indicadores sociais. A única forma de mudar de verdade a Bahia é dando um passo à frente. Se o Carlismo fez tanto mal e gerou tamanha desigualdade, se a experiência com o PT foi tão amarga, é preciso seguir em frente e mudar de verdade. Por isso, defendemos uma Bahia governada com e para os trabalhadores.

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