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Dilma e seu início promissor

Tem surpreendido positivamente a jornalistas amigos, adversários e aos, teoricamente, imparciais o início da gestão da presidenta Dilma Rousseff (PT). Dilma tem deixado claro que quem manda em seu governo é ela e que não vai admitir, nas necessárias negociações com o Congresso Nacional, que se coloque a faca em seu pescoço. Atende e entende os anseios dos aliados, mas não gosta de ameaças e pressões públicas.

E foi com esta postura que a presidenta decidiu dar um chega pra lá no obscuro deputado federal do Rio de Janeiro, Eduardo Cunha (PMDB). Indicou Flávio Decat para a presidência de Furnas, retirando do cargo Carlos Nadalutti, apadrinhado do peemedebista. No dia anterior da decisão, Cunha tinha dado uma entrevista fazendo ameaças veladas aos petistas. Provavelmente, o parlamentar fluminense esperava que ela agisse que nem Lula que, apesar de ter feito um excelente governo, titubeava frente a ameaças dos aliados. Tiro n’água

Até um aliado tradicional do petismo, o PCdoB, parceiro do PT desde 1989, levou um baile da presidenta. Dilma ofereceu ao partido o Ministério dos Esportes e o cargo da Autoridade Pública Olímpica (APO). Contudo, fez uma exigência: queria uma mulher nos Esportes e Orlando Silva seria indicado para a APO. O PCdoB bateu pé de que queria Orlando nos Esportes e que ele acumulasse  a função. Dilma atendeu a primeira parte do pedido, mas, para surpresa dos comunistas, indicou Henrique Meirelles (PMDB) para o posto olímpico. Diz a sabedoria popular: “o pau que dá em Chico dá em Francisco”.

Presidenta Dilma (foto: Roberto Stuckert Filho)

A maioria dos analistas fazem a importante ressalva de que é importante ver a resposta que a base governista vai dar nas votações no Congresso Nacional. Importantes temas estão por vir como a Reforma Política (proposta que, segundo ministros, não vai ter uma posição oficial do governo), votação do salário mínimo e instalação da Comissão da Verdade e a tradição brasileira mostra que os grades arautos da “Grande Política” tiram a pele de cordeiro, ao não ter seus pedidos atendidos, e votam contra o governo apenas para derrotá-lo.

Apesar da preocupação, surpreende a desenvoltura com que tem dividido os cargos no Governo Federal (dizia-se que ela seria refém do PT e dos partidos aliados). Além desta postura, ela também tem feito elogiáveis gestos simbólicos. Cito alguns: ter se encontrado com as Mães da Praça de Maio, organização que investiga atos criminosos da Ditadura argentina; apresentar uma postura inflexível na questão dos Direitos Humanos (criticou, em uma mesma sentença, Irã e EUA); visitar a região serrana e liberar verbas imediatamente após a tragédia; ir, pessoalmente, ao Congresso Nacional ler a mensagem da presidência.

Dilma tem sido elogiada também pelo seu lado workaholic. Chega cedo ao gabinete, instalou um relógio na sala presidencial para cobrar pontualidade dos seus ministros nas reuniões. A petista vai demonstrando um apetite para governar e administrar que arrisco dizer que não vai ser surpresa (mesmo contrariando alguns que teimam em apostar na volta de Lula) se ela for candidata à reeleição, daqui a quatro anos. Lula já disse, inclusive, que Dilma é a sua candidata em 2014.

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