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Clandestinos: Chandelly e Pedro Balla

O segundo episódio de Clandestinos mostrou o quanto a série ainda tem a mostrar. Não há nada de repetitivo nas histórias mostradas até agora, justamente pelo autor e diretor ter investindo em dar espaço às histórias reais dos atores. Mesclando-as às narrativas ficcionais, mantendo no ar a curiosidade sobre o que é mentira e o que é verdade. Na realidade, ao assistir, nós vamos esquecendo que há algo de mentira ali.

Chandelly Braz (foto: Clandestinos)

João Falcão acertou em cheio na escolha do elenco da série. Se o primeiro episódio ficou marcado pela história dramática de Adelaide, o de hoje, ficou marcado pelo tom engraçado do personagem Pedro Balla, interpretado pelo ator baiano Emiliano D’Ávila, e pela história de romance de Chandelly e Edmilson, interpretados pelos atores Chandelly Braz e Bruno Heitor.

Bruno Heitor (foto: Clandestinos)

Chandelly e Bruno Heitor estavam muito bem ao construírem uma relação dramática entre os dois. Dramática e metalinguística. João Falcão insere temas do universo teatral a todo momento e investiu, no caso dos dois, na construção das aulas sobre interpretação e sotaque ligando-a ao surgimento de uma relação amorosa.

O outro ator da noite de ontem, Emiliano D’Ávila, chamou a atenção pela comédia e por fazer um tipo de ator execrado por diretores mais sérios – como ficou exposto pelo alter ego de João Falcão, o personagem Fábio – o galã sem nada na cabeça. Dançou, fez graça e seduziu a produtora da peça Elisa.

Emiliano D'Ávila (foto: Clandestinos)

Com este personagem, no entanto, Emiliano mostrou possuir uma característica primordial para um ator que se preze: a versatilidade. Ainda, na Bahia, ele ganhou o prêmio Braskem de Teatro de ator revelação por um papel dramático na peça Shopping and Fucking, dirigida por Fernando Guerreiro.

E, ainda no mesmo episódio, João Falcão colocou em questão um tema recorrente entre os atores: o apagamento de suas marcas regionais. Eis a diferença primordial entre os dois personagens nordestinos da noite: Chandelly e Pedro Balla. Se ela é uma pernambucana envergonhada de sua origem e faz de tudo para apagar as suas marcas identitárias – como o sotaque – Balla, em uma cena hilária, se apresenta como “baiano, modéstia a parte”.

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