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Brigas no ninho da oposição

Quem escolhe um tucano como símbolo acaba se acostumando a bicadas. Parece ser esta a rotina do PSDB há alguns anos. Em 2002, Serra e Tasso Jereissati quase chegaram às vias de fato para ver quem seria o candidato da legenda a presidente. Serra foi o escolhido, mas perdeu para Lula, sem o apoio do DEM, que estava magoado com o candidato tucano pela ação da PF contra Roseana Sarney, então pré-candidata da legenda à Presidência.

Quatro anos depois, foi a vez de Alckmin e Serra pleitearem a candidatura pela legenda. Daquela vez, Alckmin superou Serra, mas, mais uma vez, Lula se saiu melhor. Em 2010, Serra e Aécio protagonizaram mais outra disputa. Serra foi escolhido candidato. Outra derrota do PSDB. No ano passado, para a candidata do PT à Presidência Dilma Rousseff, neófita em disputas eleitorais.

Pois bem, nem bem passou o resultado de 2010, todos acreditavam que, finalmente, os tucanos aprenderiam a lição de que as brigas internas dos caciques da legenda têm atrapalhado mais do que ajudado e eis que o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, contrariando as expectativas dos principais nomes do PSDB, diz que não há acordo entre ele e Aécio Neves, senador eleito de Minas Gerais, para a disputa presidencial de 2014.

O que se esperava é que, após a eleição de 2010, fosse a vez de Aécio. Mas Alckmin decidiu não ficar vendo passivo a ascensão de Aécio e afastou a influência de Serra da administração paulista. Exemplo disso? As recentes declarações do secretário estadual de Educação Herman Jacobus Cornelis Voorward criticando as gestões anteriores na área. Apesar disto, eu não acredito em ruptura completa no tucanato.

Aécio e Alckmin, tucanos já se bicam para 2014 (foto: O Globo)

No entanto, este afastamento já tira de cena Serra. Quem poderá ajudá-lo se até o seu fiel escudeiro, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, vai ser substituído em 2012? Resta rezar para o PSDB levar a prefeitura da capital, se não, Serra vai ter que se contentar com as palestras que pretende realizar e, no máximo, ser candidato a senador contra o muito provável candidato à reeleição, Eduardo Suplicy (PT).

Apesar de serem os nomes da vez, nem tudo é flor nos campos de Alckmin e de Aécio. No caso de Alckmin, mais grave, apareceram denúncias de que seu cunhado, Paulo César Ribeiro, fez lavagem de dinheiro em transações com prefeituras de São Paulo, o que pode atrapalhar os seus planos de alçar vôos mais altos. Em relação a Aécio, permanecem os questionamentos em relação ao tratamento à imprensa e movimentos sociais no seu governo.

Como disse, em setembro do ano passado, o governo Aécio se baseou na articulação boa administração, carisma, resgate da auto-estima dos mineiros e controle da imprensa. Não entender boa administração como respeito às demandas sociais. Lá, os servidores públicos, em especial os professores, são os maiores críticos do governo Aécio. Não esquecem que o tucano foi um dos governadores que quiseram impedir o piso salarial nacional para professores.

Ainda na seara oposicionista, o DEM também protagoniza uma briga interna sem tamanho. Lá, a disputa é para ver quem será o novo presidente da legenda e ainda se nomes conhecidos do partido vão abandonar o navio. Os burburinhos já foram maiores, mas ainda há a expectativa para ver se nomes como o do deputado federal ACM Neto e do prefeito Kassab vão bater em retirada em direção a outras agremiações.

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