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Brasil perde primeiro pleito internacional

O Brasil perdeu hoje o primeiro cargo pleiteado em organizações internacionais ou ainda eventos mundiais (no caso, estou falando dos Jogos Olímpicos de 2016). A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, que queria ser indicada para participar do Tribunal de Apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC) no lugar do jurista brasileiro Luiz Olavo Baptista, perdeu para o mexicano Ricardo Ramirez, apoiado pelos Estados Unidos e China.

O governo brasileiro estava empenhado na vitória de Gracie e a derrota dela foi surpreendente, porque, segundo veículos de imprensa, o seu principal adversário era o argentino Hector Torres e não o mexicano. A política internacional do atual governo tem obtido êxito na maioria dos temas em que se envolve, mas a opção feita para o cargo na OMC foi fraca, já que, em nota ao Itamaraty, a OMC disse que a ministra do STF não entendia de comércio. É óbvio que quem não entende de comércio não pode ficar na OMC.

Considero a ministra altamente preparada para diversas funções. Agora mesmo, ela retorna ao STF, lugar onde exerceu a presidência com extrema competência e embasa todas as suas decisões no profundo saber jurídico que detém.

Quanto à vontade de sediar os Jogos Olímpicos, acho que enfrentará a mesma dificuldade da candidatura de Ellen Gracie. Os outros candidatos são fortíssimos, claro que existem pontos favoráveis para que o Rio seja escolhido. No entanto, precaução não faz mal a ninguém e haja visto tantos problemas, acredito que o Brasil poderia rever o apoio ao egípcio Farouk Hosni ao cargo de secretário-geral da Unesco.

Em entrevista à revista Carta Capital, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia afirmado que o país estava concentrado nas duas candidaturas citadas acima e que a candidatura do atual vice-secretário do órgão, Márcio Barbosa, para dirigir aquela entidade poderia representar maior resistência a estes dois pleitos. Um já foi, o outro vai participar de uma disputa duríssima e no caso de Barbosa, a vitória pode ser fácil, pois o brasileiro é o favorito para ganhar a direção da Unesco e conhece a entidade por causa do cargo que ocupa atualmente.

Eu sei que relações internacionais não são feitas assim, que o Brasil está apoiando o polêmio ministro da Cultura do Egito por ter decidido fortalecer as relações entre o país e os outros do Terceiro Mundo, mas dada a nova conjuntura e a derrota da ministra do STF, algo poderia ser feito para o atual governo não acabar sendo acusado de ter perdido uma oportunidade de fortalecer a representação brasileira em órgãos internacionais.

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Posted in Política Internacional, Política Nacional.