Skip to content


Amor em 4 Atos: o 1° deu errado

Roteiro baseado nas músicas de Chico, narração de Paulo César Pereio, presença do excelente ator Gero Camilo. Um produto projetado e pensado para dar certo. É o que se esperava, mas não foi o que aconteceu. A expectativa criada pela Globo era grande: “Chico Buarque traduzido em imagens”, prometeu a produção no site. No entanto, este primeiro episódio passou longe de traduzir o que Chico colocou nas duas músicas

Acho que estrangular “Construção”, dividindo-a com “Ela faz cinema”, foi o principal erro deste episódio. Construção é, para mim, uma das músicas mais fortes da música popular brasileira. Faz uma contundente crítica social, mas, na série, a crítica foi apagada. Nada do pedreiro invisível perante a sociedade, elemento frágil que é notado por atrapalhar o tráfego e o público ao morrer como “um pacote flácido”. O pedreiro virou um galã, interpretado por Malvino Salvador, que omite ser pedreiro para conquistar a vizinha de baixo.

Com “Ela faz cinema”, transformaram a mulher que, na música, é independente, enigmática, apaixonante em uma personagem estranha, meio aproveitadora, meio boba, personagem que ficou sob a responsabilidade de Marjorie Estiano. A presença da atriz, inclusive, gerou comentários no twitter sobre a beleza dela. Realmente, está muito mais gata do que em outras produções da Globo (e ainda surpreendeu por pagar bundinha na TV – para quem começou como antagonista de Malhação…).

Pois bem, pegaram duas músicas com figuras tão fortes e construíram uma trama insossa, mais uma representação de um casal – o pedreiro e a cineasta – que constrói uma mentira, mas, depois, se arrepende e fica junto. E me incomodou muito o fato da cineasta estar fazendo um videoclipe cuja música de execução era Construção. Auto-referência em excesso.

Além disto, ainda teve uma trama paralela sem vínculo a nenhuma das duas músicas querendo fazer humor através de um dono de um trailer onde se vendia comida árabe, personagem interpretado por Cacá Rosset. Fiquei esperando algo à altura de “Afinal o que querem as mulheres?” e “Clandestinos”. Parecia não ser difícil tendo as letras de Chico como inspiração. Erro meu.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments

Posted in TV.

Tagged with , , , , , , .