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Alguns pitacos sobre o secretariado de Rui Costa – Parte II:

Falarei agora sobre as duas áreas sobre as quais eu tenho estudado e acompanhado com mais atenção – comunicação e cultura – logo os dois setores em que eu acho que as escolhas de Rui Costa foram as mais decepcionantes. André Curvello e Jorge Portugal são dois empresários. O primeiro, jornalista, tem uma empresa na área de assessoria de comunicação, e o segundo, professor, compositor e poeta, tem uma empresa da área de educação. A priori, não é um problema os dois serem empresários. Este é apenas um ponto em comum. O que, pra mim, aponta para o equívoco em torno da escolha de ambos é outra semelhança: nenhum dos dois esteve envolvido nos últimos anos na discussão de políticas públicas e concepções destas áreas.

André Curvello, futuro secretário estadual de Comunicação (foto: ACComunicação)

André Curvello, futuro secretário estadual de Comunicação (foto: ACComunicação)

Curvello e Portugal não têm qualquer ligação com discussões sobre democratização da comunicação, sobre comunicação sendo pensada como setor estratégico da sociedade contemporânea, sobre comunicação ser fundamental para que pensemos, inclusive as culturas. Isso, culturas no plural. Algo que, até onde eu sei, Portugal não tem qualquer ligação, a ponto de ser comemorado por ser de Salvador de Santo Amaro, o mais longe para onde olham os moradores da Cidade da Bahia (ah, os moradores da “Cidade da Bahia”!). Não há qualquer indicação em torno dele sobre pensar as culturas como distintos modos de vida, sem igualar, portanto, as culturas da Bahia à do recôncavo e de Salvador (aliás, achar que existe apenas uma cultura em Salvador e no recôncavo mostra o equívoco de certos articulistas).

Jorge Portugal, futuro secretário estadual de Cultura (foto: Claudionor Jr. /Ag. A Tarde)

Jorge Portugal, futuro secretário estadual de Cultura (foto: Claudionor Jr. /Ag. A Tarde)

O temor sobre Curvello e Portugal é que eles retrocedam a períodos anteriores à criação das duas secretarias; aos tempos da Agecom, da comunicação como agência/assessoria de comunicação do governo (não que Robinson Almeida tenha representado algo de muito diferente do que havia antes), e da cultura atrelada ao turismo, da época de Gaudenzi (colocando por terra todo o esforço feito por Márcio Meirelles e que foi seguido por Albino Rubim, sem o mesmo brilho do primeiro). A impressão que fica destas duas escolhas particulares do governador eleito é de que ele não ouviu nenhuma pessoa que pense e discuta as áreas ao escolher estes dois nomes. Mesmo o outro nome cogitado, João Jorge, do Olodum, seria uma escolha muito melhor que Portugal, pela representatividade, trajetória e história. É de se lamentar que tenha declinado ao convite.

Se tivesse ouvido pessoas ligadas aos dois setores, o petista poderia repetir o acerto que parece ter feito ao convidar Manoel Gomes para a secretaria estadual de Ciência e Tecnologia (Secti). Primeiro que é um grande avanço para a pasta ter alguém do setor, que tenha um grande currículo e que saiba das potencialidades em torno do Parque Tecnológico da Bahia (além de ser professor da UFBA, é o atual diretor do Centro de Projetos Fraunhofer para Engenharia de Software e Sistemas, instalado no Parque). São boas as expectativas em torno de Gomes e que podem inclusive representar melhores usos tanto do Parque quanto do Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

Manoel Gomes de Mendonça, futuro secretário estadual de Ciência e Tecnologia (foto: Divulgação)

Manoel Gomes de Mendonça, futuro secretário estadual de Ciência e Tecnologia (foto: Divulgação)

A indicação de Gomes mostra que, mantidas todas as críticas que fiz sobre as indicações de Rui Costa, nem tudo é choro e ranger de dentes. Acertou em, ao menos, oito pastas das 24. Além da Secti, Olívia Santana (PCdoB) para a SPM dispensa comentários. Olívia é um dos melhores quadros da política baiana. Espero que ela tenha mais estrutura e recursos para atuar e que possa aprofundar o trabalho de Vera Lúcia Barbosa (Lucinha do MST – PT), outra boa indicação, que agora vai para a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). Josias Gomes (PT) na Secretaria de Relações Institucionais (Serin) deve dar a Rui Costa a tranquilidade de não se preocupar tanto com as discussões políticas com prefeitos e parlamentares.

Álvaro Gomes (PCdoB) para a Secretaria de Trabalho, Renda, Emprego e Esporte (SETRE), Jerônimo Rodrigues (PT) para a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) – um dos grandes acertos de Costa foi a criação desta pasta –, Geraldo Reis (PT) para a Secretaria de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS) e Carlos Martins (PT) para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) fecham para mim os acertos do petista ao montar a sua equipe. Os outros nomes apontam para o continuísmo sem grandes inovações. Oxalá, para o bem de todos nós, que eu esteja errado.

P.S: Alguém já conseguiu entender João Leão (PP) à frente da Secretaria Estadual de Planejamento (Seplan) e Nelson Pelegrino (PT) na Secretaria Estadual de Turismo (Setur)?

P.S²: Informações dão conta de que de fato o nome de Portugal não foi discutido nos setoriais de cultura do PT e dos partidos aliados.

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