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Aborto: questão de saúde pública

Já que o assunto está na boca dos pré-candidatos, achei que este seria um bom momento para discutir o problema do aborto aqui no blog. Como sempre, vou avaliar o posicionamento deles a partir do meu próprio ponto de vista sobre o assunto. Eu sou contra a prática do aborto, mas entendo que não posso impor esta minha crença para as outras pessoas. Ainda mais quando, no país, há milhares de mulheres que praticam o aborto todos os dias, sem as devidas condições, utilizando métodos medievais.

Então, fico com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) que diz que o aborto deve ser tratado como uma questão de saúde pública. Ou seja, a nossa legislação deve ser alterada para eliminar com a disparidade existente entre as mulheres pobres obrigadas a frequentar verdadeiros açougues e as mulheres da classe média que vão em médicos particulares ou fazem o procedimento em outros países onde a prática é liberada.

Alterar a legislação flexibilizando a prática não significa dizer que todas as outras medidas como planejamento familiar, métodos contraceptivos, etc, devam ser evitadas. Não acredito, por outro lado, que a flexibilização vá ocasionar o aumento do número de abortos. Ninguém deixa de fazer o aborto porque ele é proibido. E, além disto, duvido que uma mulher decida isto de forma fácil. É sempre uma decisão difícil. Trata-se de um procedimento doloroso psicologicamente e fisicamente.

Presidenciáveis divergem sobre questão do aborto (foto: jornal Hoje em Dia)

Agora, voltando aos presidenciáveis, esperava outra postura do ex-ministro José Serra (PSDB), por ele ter ocupado a pasta da Saúde e saber, obviamente, da recomendação da OMS e da situação destas mulheres, principalmente, das mais pobres. Serra afirmou ser contra o aborto e que, se for eleito, não deverá assumir esta discussão. Agrada as camadas religiosas, mas atrapalha o debate.

Mais corajosas foram Marina Silva (PV) e Dilma Rousseff (PT). Disse a candidata verde, mesmo sendo evangélica, que promoveria um plebiscito sobre o assunto. Declarou ainda que as mulheres que fazem aborto não devem ser satanizadas. A petista foi além e disse, em entrevista à RBS, que o aborto deve ser tratado como questão de saúde pública, devendo ser esta a posição do governo. Ao meu ver, é por aí que o debate deve ir.

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