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A Cura: Mais um acerto de João Emanuel Carneiro

O autor João Emanuel Carneiro emplacou, na semana passada, mas eu só fui ver hoje, mais um produto na TV Globo. Desta vez, não foi uma novela, mas a série A Cura, cujos protagonistas são Selton Mello e Carmo Dalla Vecchia. E tudo impressiona na atração: as atuações, a direção, o fato de ter duas narrativas, em períodos históricos diferentes, que se entrelaçam.

Tenho acompanhado todas as histórias de João Emanuel Carneiro desde Da Cor do Pecado, primeira novela da Globo a ter uma protagonista negra, sua novela de estreia e primeiro sucesso no horário das 19 horas. Depois, ele foi o responsável pela novela Caras e Bocas Cobras e Lagartos, responsável pelo surgimento do impagável Foguinho.

As duas novelas alçaram João Emanuel para o disputado horário das 21 horas e ele nos trouxe A Favorita, mais uma trama em que ele teve a grande sacada de brincar com o público sobre quem era a protagonista e quem era a antagonista. Flora só foi revelada como a grande vilã depois de um mês de novela e, mesmo assim, o autor manteve a atenção da audiência.

Se nas novelas das 19 horas, os destaques foram a comédia e, na das 21, a brincadeira vilão/mocinho, agora João Emanuel põe em contraposição ciência e fé. De um lado, está a cética e tradicional sociedade de Diamantina, do outro, a louca Edelweiss (interpretada por Inês Peixoto) e a sua crença de que Dimas, personagem de Selton Melo, é milagreiro e as dúvidas dele se isto é ou não é verdade.

A contraposição, entretanto, não explica toda a história. Do outro lado, Dalla Vecchia, que tem deixado de ser um ator mediano e está muito bem na série, faz o personagem Silvério. Um explorador de diamantes sem escrúpulos que, até onde eu sei, é uma vida passada de Dimas.

Edelweiss, a louca, diz ainda que Dimas tem outra vida passada, Dr. Otto, personagem de Juca de Oliveira, outro médico curandeiro que provocou várias polêmicas em Diamantina até ser assassinado. Os conflitos vão se estabelecendo também em torno de Otto e das semelhanças que a história dele tem com a de Dimas.

Para concluir, as atuações de Andréia Horta, Ana Rosa, Ary Fontoura, Nívea Maria, Caco Ciocler, Eunice Brálio, Carmo Dalla Vecchia e Inês Peixoto têm chamado a atenção pela qualidade e naturalidade em que assumiram a história e a estão contando.

Deixei Selton Mello de fora, porque, apesar de ter gostado dele, no episódio que eu assisti, em alguns momentos, achei que ele estava fora de tom. Um exemplo: a cena em que ele está conversando com a mãe (interpretada por Nívea Maria) e o avô na sala. As reações dele não foram ruins, mas não foram passadas com a naturalidade que poderia.

Para fechar, não posso deixar de elogiar a grande sacada de utilizar uma personagem para fazer a narração e apresentação dos outros personagens. Trata-se de uma fofoqueira, interpretada pela atriz Eunice Brálio. O mais engraçado nisto é que ela apresenta-os sob seu ponto de vista, podendo, portanto, ser uma impressão errada ou não das pessoas que moram em Diamantina.

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