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2014 na Bahia: Tá todo mundo na pista pra negócio – Parte II

Rui Costa (foto: Manu Dias/Secom)

Rui Costa, hoje, talvez seja o que mais se articula para ser o candidato do PT à sucessão de Wagner. Ou seja, caso o discurso do governador no final de 2010 fosse o critério final, estaria limado já na saída, mas não é o caso. O que dizem em todos os cantos é que ele tem buscado incansavelmente os prefeitos do interior. Ontem mesmo, no Dia do Trabalhador, lançou slogan (“A Força da Nova Bahia”), interpretado por petistas como antecipação de que quer alçar voos maiores (veja aqui). Um amigo fez a ressalva que o slogan de Rui Costa não é novo. Ele o teria desde a eleição, em 2010, para deputado federal. Feito o registro, não deixa de ser curioso que ainda o utilize agora que é secretário.

O que pesa contra Rui? Além da falta de carisma, o fato de ser desconhecido fora de setores mais ligados em política. Rui estava no seu primeiro mandato como deputado federal, tem um cargo expressivo no governo, a secretaria da Casa Civil, mas que não tem um terço da visibilidade midiática que tem o cargo de presidente da Petrobras.

José Sérgio Gabrielli

Se Wagner pode ser considerado um bom padrinho, imagine o que é ter Lula como padrinho e o fato de ter tido a maior visibilidade nacional de um petista baiano, depois de Wagner, nos últimos sete anos? Estou me referindo àquele que é hoje o principal adversário de Rui Costa dentro do PT, o secretário estadual de Planejamento, José Sérgio Gabrielli.

Gabrielli não tem deixado Rui se movimentar sozinho. Acompanhou o lançamento de pré-candidaturas de alguns petistas no interior do estado e tem assumido eventos com visibilidade nacional, que têm a participação do governo baiano como Rio+20 e o Fórum de Energia de Estados Nordestinos nos Estados Unidos. Fatos noticiados, inclusive, pela imprensa nacional. A chegada de Gabrielli ao governo, inclusive, foi uma das mais criticadas pela oposição. Minha hipótese é que temem o apoio de Lula.

Na visão do vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, Geddel Vieira Lima, a sua derrota em 2010 para Wagner foi motivada pelo apoio explícito de Lula ao governador. O secretário estadual de Planejamento é o nome que contaria com o maior empenho de Lula, apoio que ficou marcado com a carta enviada pelo ex-presidente em sua posse, e conta com o apoio de parcela significativa do PT nacional, o que ficou demonstrado com a vinda de José Dirceu e a declaração de apoio do Presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda. Além disso, conta com o reforço de esquerdistas históricos que não têm escondido a sua predileção.

Senador Walter Pinheiro (foto: PT)

Por fim, mas não menos importante, está o senador Walter Pinheiro que, junto com Wagner e Gabrielli, são os petistas baianos de maior visibilidade. O problema de Pinheiro hoje é que ele não tem o apoio de sua própria tendência interna, a Democracia Socialista (DS). A DS está rachada em dois pedaços, o de Pinheiro, e o de Afonso-Robinson, muito mais próximos de Wagner. Segundo a revista Isto É, até sua liderança da bancada petista no Senado tem sido contestada pelos colegas. Só o tempo dirá se conseguirá reverter essa tendência.

A disputa no PT centra-se hoje, principalmente, em Rui e Gabrielli. O primeiro tem o perfil parecido com o de Wagner, gosta da articulação política, mas falta a ele a trajetória do governador. Cabe uma ressalva sobre uma possível comparação com Dilma. Apesar de pouca experiência parlamentar, a presidenta tinha larga experiência técnica, Rui está em seu segundo cargo executivo. Já Gabrielli possui maior experiência executiva (nove anos de Petrobras) e um perfil mais técnico do que o de Rui. Se o PT quiser dar uma mexida em seu projeto na Bahia, como Lula fez no caso nacional, será o escolhido.

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