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Alguns pitacos sobre o secretariado de Rui Costa – Parte I:

O governador eleito Rui Costa (PT) anunciou na manhã de hoje (19) os 11 nomes que faltavam para concluir o seu secretariado – já havia anunciados outros 13 na última terça-feira (16) – e, de um modo geral, não é um colegiado que atenda às expectativas criadas durante a campanha e a transição pelo petista. Não vou repetir um renomado articulista baiano que afirmou que a montanha havia parido um rato para, logo em seguida, rasgar loas à indicação de Jorge Portugal para a Secretaria Estadual de Cultura (Secult), enaltecendo o fato dele ser de Salvador, para diferenciar de Márcio Meirelles que, segundo as palavras deste jornalista, olhou para o setor “abandonando Salvador e o Recôncavo, berços do setor cultural do estado”. Volto para a indicação de Portugal no post abaixo.

Afora as justas críticas de mulheres e negros sobre a falta de representatividade dos dois setores nas pastas do governador eleito – são apenas quatro negros, entre estes, duas mulheres (há mais uma na pasta de Agricultura) – o que se vê de mais eloquente na composição do novo governo é a incapacidade do PT baiano de, nos últimos anos, reconhecer quadros do próprio governo e da sociedade que pudessem cumprir as tarefas do novo período. Não há um nome sequer das gerações mais novas – do PT ou dos partidos aliados – e poucos que, de fato, representem suas áreas. Não foi pouca coisa o PT da Bahia ter deixado escapar Juca Ferreira para a prefeitura de São Paulo, ainda durante o governo Wagner.

Vou destacar cinco áreas – duas que afetam a todos nós e outras três do meu interesse e acompanhamento pessoal – para mostrar as contradições que se anunciam para os próximos anos. São elas educação, segurança pública, comunicação, cultura e ciência e tecnologia, respectivamente. Sobre educação (SEC), só escuto falar muito bem do professor Osvaldo Barreto, mas parece ter ficado óbvio que, nos últimos quatro anos, ele foi incapaz de aproveitar a produção do Instituto Anísio Teixeira para formular novas bases educacionais para o estado. Se a ideia era inovar, inclusive com plano de metas, para que manter Barreto, mesmo que este tenha boa vontade e currículo?

Quadro - Secretariado

Aliás, a manutenção de Barreto me leva a discussão sobre o desenho do novo governo, sobre o qual ainda não havia falado. Qual foi a ideia do governador e sua equipe de transição ao decidir pela transferência do Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia (Irdeb) para a Secretaria de Educação? O Irdeb tem a Rádio Educadora e a TV Educativa, mas, apesar de ambas terem educação no nome, é claro para qualquer um que conheça a estrutura do instituto que o que falta ali é verba e pessoal, para ter abrangência temática e alcance de audiência. Atrelar à SEC é decisão que foge de qualquer racionalidade em tempos contemporâneos. É a comprovação de que comunicação e cultura não são centrais na atuação dos governos do PT, em que pese levarem surras ideológicas cada vez maiores por não disputarem as hegemonias.

Segurança pública (SSP) renderia um post à parte, mas serei breve. Maurício Barbosa é jovem, é da Polícia Federal, duas possíveis qualidades, mas, apesar das taxas de violência estarem em baixa, qual diferença ele introduziu na concepção de segurança pública, no que se espera de um governo de esquerda e do PT? A polícia está menos repressora? Não. Minorias e movimentos sociais têm seus direitos pensados na formulação das políticas de segurança? Também não. Não esqueçamos o MST sendo recebido a tiros pelo subsecretário da SSP e os diversos casos de jovens desaparecidos nas periferias. Não é qualquer coisa e deveria servir como exemplo o PT nacional e Dilma terem assumido como compromisso pro segundo mandato da presidenta o apoio em favor da aprovação da PL 4471 que extingue os autos de resistência. Seria bom Rui Costa e o secretário Barbosa conversarem com parlamentares como o deputado Paulo Teixeira, colega de partido de Rui, mas de São Paulo, e ver se a criação do BOPE ou a redução da maioridade penal são, de fato, boas saídas.

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Alguns pitacos sobre o secretariado de Rui Costa – Parte II:

Falarei agora sobre as duas áreas sobre as quais eu tenho estudado e acompanhado com mais atenção – comunicação e cultura – logo os dois setores em que eu acho que as escolhas de Rui Costa foram as mais decepcionantes. André Curvello e Jorge Portugal são dois empresários. O primeiro, jornalista, tem uma empresa na área de assessoria de comunicação, e o segundo, professor, compositor e poeta, tem uma empresa da área de educação. A priori, não é um problema os dois serem empresários. Este é apenas um ponto em comum. O que, pra mim, aponta para o equívoco em torno da escolha de ambos é outra semelhança: nenhum dos dois esteve envolvido nos últimos anos na discussão de políticas públicas e concepções destas áreas.

André Curvello, futuro secretário estadual de Comunicação (foto: ACComunicação)

André Curvello, futuro secretário estadual de Comunicação (foto: ACComunicação)

Curvello e Portugal não têm qualquer ligação com discussões sobre democratização da comunicação, sobre comunicação sendo pensada como setor estratégico da sociedade contemporânea, sobre comunicação ser fundamental para que pensemos, inclusive as culturas. Isso, culturas no plural. Algo que, até onde eu sei, Portugal não tem qualquer ligação, a ponto de ser comemorado por ser de Salvador de Santo Amaro, o mais longe para onde olham os moradores da Cidade da Bahia (ah, os moradores da “Cidade da Bahia”!). Não há qualquer indicação em torno dele sobre pensar as culturas como distintos modos de vida, sem igualar, portanto, as culturas da Bahia à do recôncavo e de Salvador (aliás, achar que existe apenas uma cultura em Salvador e no recôncavo mostra o equívoco de certos articulistas).

Jorge Portugal, futuro secretário estadual de Cultura (foto: Claudionor Jr. /Ag. A Tarde)

Jorge Portugal, futuro secretário estadual de Cultura (foto: Claudionor Jr. /Ag. A Tarde)

O temor sobre Curvello e Portugal é que eles retrocedam a períodos anteriores à criação das duas secretarias; aos tempos da Agecom, da comunicação como agência/assessoria de comunicação do governo (não que Robinson Almeida tenha representado algo de muito diferente do que havia antes), e da cultura atrelada ao turismo, da época de Gaudenzi (colocando por terra todo o esforço feito por Márcio Meirelles e que foi seguido por Albino Rubim, sem o mesmo brilho do primeiro). A impressão que fica destas duas escolhas particulares do governador eleito é de que ele não ouviu nenhuma pessoa que pense e discuta as áreas ao escolher estes dois nomes. Mesmo o outro nome cogitado, João Jorge, do Olodum, seria uma escolha muito melhor que Portugal, pela representatividade, trajetória e história. É de se lamentar que tenha declinado ao convite.

Se tivesse ouvido pessoas ligadas aos dois setores, o petista poderia repetir o acerto que parece ter feito ao convidar Manoel Gomes para a secretaria estadual de Ciência e Tecnologia (Secti). Primeiro que é um grande avanço para a pasta ter alguém do setor, que tenha um grande currículo e que saiba das potencialidades em torno do Parque Tecnológico da Bahia (além de ser professor da UFBA, é o atual diretor do Centro de Projetos Fraunhofer para Engenharia de Software e Sistemas, instalado no Parque). São boas as expectativas em torno de Gomes e que podem inclusive representar melhores usos tanto do Parque quanto do Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

Manoel Gomes de Mendonça, futuro secretário estadual de Ciência e Tecnologia (foto: Divulgação)

Manoel Gomes de Mendonça, futuro secretário estadual de Ciência e Tecnologia (foto: Divulgação)

A indicação de Gomes mostra que, mantidas todas as críticas que fiz sobre as indicações de Rui Costa, nem tudo é choro e ranger de dentes. Acertou em, ao menos, oito pastas das 24. Além da Secti, Olívia Santana (PCdoB) para a SPM dispensa comentários. Olívia é um dos melhores quadros da política baiana. Espero que ela tenha mais estrutura e recursos para atuar e que possa aprofundar o trabalho de Vera Lúcia Barbosa (Lucinha do MST – PT), outra boa indicação, que agora vai para a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). Josias Gomes (PT) na Secretaria de Relações Institucionais (Serin) deve dar a Rui Costa a tranquilidade de não se preocupar tanto com as discussões políticas com prefeitos e parlamentares.

Álvaro Gomes (PCdoB) para a Secretaria de Trabalho, Renda, Emprego e Esporte (SETRE), Jerônimo Rodrigues (PT) para a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) – um dos grandes acertos de Costa foi a criação desta pasta –, Geraldo Reis (PT) para a Secretaria de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS) e Carlos Martins (PT) para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) fecham para mim os acertos do petista ao montar a sua equipe. Os outros nomes apontam para o continuísmo sem grandes inovações. Oxalá, para o bem de todos nós, que eu esteja errado.

P.S: Alguém já conseguiu entender João Leão (PP) à frente da Secretaria Estadual de Planejamento (Seplan) e Nelson Pelegrino (PT) na Secretaria Estadual de Turismo (Setur)?

P.S²: Informações dão conta de que de fato o nome de Portugal não foi discutido nos setoriais de cultura do PT e dos partidos aliados.

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Reeleição de Dilma: Juntos pra avançar!

Dilma (foto: Divulgação)

Dilma (foto: Divulgação)

A eleição mais disputada da redemocratização – tensão da porra , a mais politizada desde 1989, me fez sair do muro em que eu tinha me colocado desde 2008. Não que eu tivesse deixado de manifestar opiniões aos amigos e familiares, mas a atividade jornalística, pra mim, significava silenciar publicamente sobre meu posicionamento político, ainda que eu nunca tenha deixado de expor, em público, minhas visões de mundo.

Com a polarização, retomei a militância e externei meu voto nos dois turnos na atual presidenta Dilma Rousseff. Votei em Dilma por ver nela maiores condições para aprofundar as disputas em torno de perspectivas de esquerda, ainda que reconheça todas as contradições que estes 12 anos de governo apresentaram. Além de ser um veto a Aécio e às forças que se aglutinaram em torno dele.

Votar em Dilma representou ainda o fortalecimento do compromisso que tenho com a história da minha família. Apesar de ter nascido na época das vacas (quase) gordas, cresci ouvindo a história da pobreza extrema com que meus familiares tiveram que conviver. Minha mãe perdeu um irmão para a subnutrição, antes dele completar seu primeiro ano de vida. Votar no governo e no partido que tiraram o Brasil do mapa da fome representou honrar a superação desta realidade nefasta.

No segundo turno, me deixou feliz estar do mesmo lado que Jean Wyllys, Emicida, as periferias de São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e de todo o Brasil. Ouvir a presidenta assumir compromissos com os direitos humanos – fim dos autos de resistência, criminalização da homofobia, ampliação do combate à violência contra a mulher – reforçou a minha decisão de estar na rua. O reencontro do PT com a militância de esquerda, com jovens que saíram pra conseguir votos pro partido, foi a maior vitória da disputa encerrada ontem.

Tenho ainda que falar que essa eleição que muitos disseram – com certa razão – ser caracterizada pelo ódio vai ficar na minha memória pela alegria da militância na rua. Teve samba, caminhada festiva, carnaval fora de época, hip hop, funk, passinho, etc. Espero que toda essa criatividade na luta prossiga pra gente unir uma grande quantidade de pessoas, sabendo que, às vezes, o possível é o cinza. Temos que pressionar pra que o diálogo – a principal palavra usada por Dilma em seu discurso de vitória – penda pro lado esquerdo das disputas.

Vamos precisar disso pra avançar as pautas que nos uniram – a reforma política, a regulação econômica dos meios de comunicação (o que significa cumprir e fazer valer o que está na Constituição), além dos temas em direitos humanos que citei acima –, tendo em vista um dos Congressos mais retrógrados dos últimos tempos e que já está se articulando pra manter tudo do jeito que está. Por ora, parabéns pra todos nós. A luta continua. Não nos dispersemos.

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2014: Eduardo Campos joga War: ataca territórios de adversários sem descuidar dos seus

O governador Eduardo Campos (PSB) é jovem, de outra geração política, o que talvez explique a tática adotada por ele em Pernambuco e no cenário nacional. Deve ter aprendido suas táticas no War: pode-se arriscar, mas não se deve esquecer de defender os seus territórios (tática que o senador Aécio Neves parece não ter aprendido). A análise do TOP 10 mostra que a base do governo pernambucano ganhou em sete cidades (menos que as bases de Cabral e Wagner, que empataram com oito): Recife, Paulista e Cabo de Santo Agostinho, com o PSB, Caruaru (PDT), Vitória de Santo Antão (PSD) e Garanhuns (PTB) (p.s: A análise foi feita em 2012, antes da morte de Campos e da saída do PTB e do PDT da base do governador, que se aliaram na coligação de Armando Monteiro).

A vitória em Recife é um caso à parte. Campos driblou o PT – me desculpem aqueles que compraram a versão de que foi apenas erro interno dos petistas -, sendo um dos nove governadores que viram aliados ganhando nas capitais. Foi Campos quem vetou, inicialmente, a candidatura a reeleição do prefeito João da Costa. Só que ele queria Maurício Rands e o PT, após a derrota de Rands, fez a cagada de impôr o senador Humberto Costa – e levou Geraldo Júlio a ganhar no primeiro turno. A derrota de Costa, inclusive, dificulta muito a sua candidatura ao governo pernambucano, ainda que o PT tenha crescido de 8 para 13 cidades. Perdeu, de forma deprimente, ficando em terceiro colocado, deixando o PT fora do ranking dos 10 maiores eleitorados em Pernambuco (p.s: Costa liderou a aliança do PT em torno de Monteiro e o arranjo que colocou o ex-prefeito de Recife, João Paulo (PT), como candidato ao Senado).

Na oposição a Campos, PSDB e PMDB conquistaram três cidades no TOP 10. Os tucanos em Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe e o PMDB em Petrolina. A análise leva em consideração os partidos que integravam a base na época da eleição, o que não permite afirmar categoricamente que prefeitos eleitos pela oposição não passem para o governo. Digo isso, porque é explícita a negociação do socialista com os tucanos e o PMDB de Jarbas Vasconcelos. Difícil vai ser convencer o prefeito de Petrolina a mudar de lado após vencer o filho e a força do ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração) (p.s: Não mudou de posição e apoia Monteiro à revelia do PMDB).

O resultado das eleições em Pernambuco não permitem antever quem será o herdeiro natural do governo socialista (p.s: Acabou sendo o secretário estadual da Fazenda, Paulo Câmara). O que fica é a certeza que, independente de quem seja, o ungido por Campos partirá de uma situação muito favorável. Essa situação calma permite que Eduardo Campos planeje voos mais altos (vice-presidência ou Presidência da República). Só acho que não será em 2014 (vai depender do PSDB), evitando confrontar uma presidenta muito bem avaliada, sem grande presença no Sudeste, mas em 2018 (p.s: acabou sendo em 2014 mesmo. Trajetória pra 2018 encerrada no trágico acidente de 13 de agosto).

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2014: Resultado das eleições aponta ameaça à reeleição de Tarso Genro

Entre os governadores da base do governo Dilma Rousseff, nos maiores colégios eleitorais, o desempenho da base do petista Tarso Genro foi o mais preocupante. Os aliados do governador levaram Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas e Rio Grande. As duas primeiras com o PDT e as duas últimas com o PT. E, nem nessa base, pode-se dizer que há tranquilidade para o petista. É fato conhecido entre os gaúchos que o prefeito da capital, José Fortunatti, do PDT, é candidatíssimo ao Palácio do Piratini. Pretensão que ficou ainda mais forte com a reeleição já no primeiro turno (p.s: O candidato do PDT acabou sendo o deputado Vieira da Cunha).

Aliás, o resultado deixa um ensino para o PT gaúcho que, no decorrer da campanha, elegeu a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) como a principal adversária a ser batida. O desempenho do PT na capital foi, se não o pior, um dos piores já alcançados pela legenda. Se por um lado, a situação não é boa para o PT, tampouco é boa para aquela que era apontada como a principal adversária de Tarso antes das eleições, a senadora Ana Amélia (PP), que apoiou Manuela à revelia do seu próprio partido.

Apesar de continuar sendo o partido com maior número de prefeituras no estado, o desempenho do PP não foi bom entre o TOP 10 e sofreu uma queda em número de cidades. O PT cresceu timidamente, ganhando a administração de mais 11 municípios, totalizando 72. Na oposição a Tarso Genro, a análise do TOP 10, permite ver que PMDB e PSDB têm motivos para comemorar. Cada um ganhou três cidades (os tucanos Pelotas, Viamão e São Leopoldo e os peemedebistas, Santa Maria, Gravataí e Novo Hamburgo). Resta saber quem será os candidatos de cada partido (p.s: PSDB resolveu apoiar a senadora Ana Amélia, do PP, e o PMDB se aliou ao PSB, indicando o ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori. Segundo as últimas pesquisas, Tarso Genro e Ana Amélia estão empatados na liderança).

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2014: Base de Wagner domina TOP 10, mas derrota em Salvador acende alerta

A base do governador Jaques Wagner (PT) sagrou-se vitoriosa nessas eleições. Ganhou mais de 300 das 417 cidades baianas, 27 das 35 maiores e oito das que integram o TOP 10. A base do governo levou Vitória da Conquista e Camaçari, com o PT, Juazeiro (PCdoB), Itabuna (PRB), Ilhéus, Lauro de Freitas e Jequié, com o PP, e Alagoinhas, com o PDT. Esse desempenho mostra que há aceitação do trabalho do governo no interior do Estado, inclusive em grandes cidades. Entretanto, a derrota para o DEM em Salvador fez acender a luz de alerta.

Apesar do simbolismo de ter perdido na capital para o neto do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, o PT cresceu em Salvador (tanto em quantidade de votos quanto porcentualmente). Além da capital, os democratas governarão também Feira de Santana, segundo maior colégio eleitoral do Estado. O problema para o DEM foi o desempenho no resto do Estado: apenas nove municípios.

Tanto em Salvador quanto em Feira, o PMDB apoiou o DEM (no 2º e no 1º turnos respectivamente), o que, em tese, favorece a aglutinação das forças oposicionistas em torno de um candidato. Ainda supostamente, o beneficiário disso seria o ex-ministro e atual vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, Geddel Vieira Lima. Resta saber se já está sacramentado que Geddel será o palanque do senador Aécio Neves (PSDB) no estado. Essa aglutinação impõe ao campo governista a necessidade de também disputar as eleições unido (p.s: Três erros no mesmo parágrafo: Souto foi o candidato aglutinador da oposição por indicação do prefeito ACM Neto que quer ser o candidato a governador em 2018, o governo saiu desunido – Rui e Lídice – e Geddel apoia Aécio, apesar de falar pouco disso na campanha de TV).

A base deve se debruçar agora na avaliação das razões pelas quais o deputado federal Nelson Pelegrino (PT) perdeu em Salvador. Alguns motivos: a atual situação da cidade foi atribuída ao Governo do Estado; houve tibieza de alguns petistas em se posicionar, claramente, na oposição ao atual prefeito; a força da máquina da prefeitura (10 vereadores e ajuda importante na eleição do democrata); problemas na campanha e nos debates; o mensalão; e, por último, mas não menos importante, o desgaste das greves dos policiais e dos professores – que deixou marcas na relação histórica do PT com os servidores.

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2014: Cabral mantém espaço no Rio, mas Lindberg ganha força pra sucedê-lo

O resultado das eleições no Rio de Janeiro foram muito favoráveis ao governador Sérgio Cabral (PMDB). Não teve dança do guardanapo que impedisse a reeleição de seu correligionário na capital, Eduardo Paes. Além disso, os peemedebistas levaram mais três cidades fluminenses entre os 10 maiores colégios eleitorais: Nova Iguaçu, Paty do Alferes e Volta Redonda. A base de Cabral ganhou em mais quatro cidades: Duque de Caxias (PSB), Belford Roxo (PCdoB), Niterói (PT) e São João do Meriti (PDT).

Se por um lado, este resultado favorece a candidatura do escolhido de Cabral, Luiz Fernando Pezão (PMDB), seu vice-governador, por outro lado, sinaliza para uma certa aglutinação em torno do senador Lindberg Farias (PT). O petista foi o fiador do apoio do PT ao candidato Alexandre Cardoso, do PSB, em Caxias (p.s: A conversa entre PT e PSB resultou na aliança entre os dois partidos este ano, apesar de Cardoso apoiar Pezão) e apoiou as candidaturas vencedoras em Belford Roxo, Niterói e São João do Meriti. Hoje, teria condições em ser o segundo palanque da base de Dilma no Rio (p.s: Não só é palanque de Dilma, como é o quarto destes palanques. Além do petista, ela é apoiada por Pezão – PMDB, Garotinho – PR e Crivella – PRB).

Por fim, outro nome que se posiciona para 2014 com o resultado das urnas nas 10 maiores cidades é o ex-governador Anthony Garotinho (PR). Os republicanos ganharam no segundo maior colégio eleitoral do estado, São Gonçalo, e, em Campos de Goytacazes, onde tornou a vencer a ex-governadora e esposa de Garotinho, Rosinha. Entre o TOP 10 parece pouco e pode acabar sendo. Chama a atenção o definhamento da oposição ao Governo Federal. PSDB e DEM não têm nenhuma cidade entre os 10 principais colégios eleitorais do Rio de Janeiro (p.s: Não à toa, tanto o PSDB quanto o DEM acabaram decidindo por Pezão).

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2014: Aécio roda o país, mas vê aliados de Dilma crescerem em seu quintal

Desde que acabou a eleição de 2010 uma certeza ronda a cabeça da oposição: o então senador eleito Aécio Neves será o candidato do PSDB à Presidência da República em 2014. Para isso, traçaram-se algumas estratégias: o candidato deveria começar a rodar o País, assumir a postura de líder da oposição no Senado e manter a sua força em Minas Gerais. Das três estratégias determinadas, apenas a primeira foi realizada a contento agora em 2012. Aécio não consegue convencer como líder da oposição e viu sua força ruir em Minas.

Entre as 10 maiores cidades mineiras, Aécio comemorou a manutenção do seu aliado, Márcio Lacerda (PSB), na Prefeitura. Mais do que isso, festejou a saída do PT da prefeitura e o crescimento da influência dos tucanos. Entretanto, ainda no ranking dos maiores municípios, os aliados do seu apadrinhado, Antonio Anastasia, governador do estado, só conseguiram ganhar em mais duas: Betim, com o PSDB, e Montes Claros, com o PRB.

A oposição à dupla Aécio/Anastasia conseguiu vencer em sete das 10 maiores cidades mineiras. O PT em Uberlândia, Ribeirão das Neves, Governador Valadares e Ipatinga, o PCdoB em Contagem (com apoio de Aécio no segundo turno, após ver o seu candidato ficar pelo caminho) e o PMDB em Juiz de Fora e em Uberaba. No segundo turno, os tucanos apoiaram adversários estaduais para evitar a vitória do PT. Deu resultado: o PT não levou nenhuma das cidades.

Com quem ficarão, em 2014, os peemedebistas e o comunista Carlin Moura apoiados por Aécio? Comunistas, peemedebistas e petistas integram a oposição ao PSDB e, inclusive, foram derrotados juntos em Belo Horizonte (p.s: Juntaram-se os três no apoio a Fernando Pimentel, que deve ser eleito no domingo). Os partidos fazem parte da base de Dilma. Parece que Aécio, no afã de derrotar o PT, colocou o cavalo para dentro de sua Tróia. Ainda que o PSDB continue sendo o partido com maior quantidade de prefeituras em Minas: 142.

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2014: PT ameaça PSDB em São Paulo

As últimas análises foram sobre o quadro em 2014 e, coincidentemente, os textos que faço nesse retorno se referem às sucessões em diversos estados brasileiros. Com o resultado das eleições municipais deste ano (p.s: como disse no Facebook, escrevi estes textos em 2012) o jogo começou a ser disputado mais claramente. Fiz um levantamento do desempenho dos partidos nas 10 maiores cidades em seis estados. Comecemos por São Paulo, maior colégio eleitoral do País.

O resultado em São Paulo hoje é, completamente, adverso ao PSDB e aos partidos aliados. Das 10 maiores cidades, o PT ganhou em seis, sendo na 1ª e na 2ª maiores, São Paulo e Guarulhos. Além disso, a estratégia dos petistas funcionou e eles conseguiram reforçar a presença na Grande São Paulo. Além das duas citadas, o PT ficou ainda com São Bernardo do Campo (4º), Santo André (5º), Osasco (6º) e São José dos Campos (7º).

Essa presença do PT ajuda a estratégia da legenda em conquistar o governo do estado em 2014. Com certeza, a luz vermelha do governador Geraldo Alckmin (PSDB) se acendeu (p.s: a resistência de Alckmin é algo que foge à minha compreensão. Talvez a força do antipetismo aliada à força do governador no interior explique). Os tucanos ficaram apenas com as duas menores do TOP 10, Sorocaba e Santos. Algumas prováveis explicações para isso: a escalada de violência e o desgaste de estarem há 20 anos à frente de São Paulo (p.s: Ainda teve a crise da água de lá pra cá, mas as pesquisas mostram o tucano faturando no primeiro turno).

Completam a lista o PSB em Campinas, que muitos estão enaltecendo como a entrada de Eduardo Campos em São Paulo (o que eu considero ser uma análise precipitada, afinal de contas o candidato Jonas Donizette é mais do PSDB do que do PSB – p.s: Essa eu acertei, o PSB é vice de Alckmin) e o PSD, de Darcy Véra, em Ribeirão Preto, que, na época da eleição, fazia parte da base de Alckmin, mas que já está de malas prontas para cair nos braços do petismo (p.s: essa eu errei, o PSD de São Paulo caiu nos braços de Skaf, do PMDB).

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Rede Blogs – Eleições 2014: Entrevista Rose Bassuma (PSB)

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Comprometidos com a valorização da política, da democracia e da compreensão das necessidades e demandas da sociedade brasileira Kizumba, Thiago Ferreira e Mailson Ramos, blogueiros e produtores de conteúdo, uniram seus sites com o intuito de entrevistar os candidatos aos cargos eletivos para o governo do Estado da Bahia, ao senado e a deputado estadual e federal. Foram enviadas perguntas para as assessorias de todos os partidos em disputa e as respostas serão gradativamente publicadas até o dia da eleição.

Pitacos do Manuca, o Opinião & Contexto e Blog do Kizumba, por suas características análogas em relação à publicação de artigos dos seus criadores e administradores resolveram criar uma rede de integração para divulgar as entrevistas e futuramente amplificar o relacionamento dos sites e das propostas de seus idealizadores. A Rede Blogs está no ar, tendo como principal objetivo democratizar o espaço de divulgação de propostas de todos os candidatos baianos, sem discriminação e com garantia de mesmo espaço para todos e, assim também contribuir para o eleitorado se informar e fazer a escolha que lhe for conveniente.

Seguimos em frente discutindo as demandas da sociedade brasileira e desempenhando, mesmo que em pequenas proporções, o nosso dever de cidadania.

Rose Bassuma (PSB), candidata a deputada estadual (foto: Divulgação)

Rose Bassuma (PSB), candidata a deputada estadual (foto: Divulgação)

Rose Bassuma já foi filiada ao PT, onde foi candidata a vereadora, é esposa do ex-deputado federal da legenda, Luiz Bassuma. Ambos saíram do partido após polêmica em relação à descriminalização do aborto. Em 2010, foi candidata a deputada federal pelo PV, quando se aproximou de Marina Silva. Em 2011, tentou se filiar ao PSOL, mas a filiação foi questionada por setores do partido. Em 2013, ingressou no PSB, junto com parte do grupo da Rede Sustentabilidade na Bahia, sendo candidata a deputada estadual.

1. Quais os pontos positivos e negativos, a senhora destacaria dos 8 anos de governo Wagner?

Positivos- No primeiro mandato, destaco o aumento do número de empregos formais. São bons em comunicação, souberam propagar muito bem um governo, que gerou pouco desenvolvimento para a Bahia.

Negativos- Falta de estrutura na segurança pública, com aumento considerável da violência. Falta de investimento na cultura, de revitalização dos pontos de cultura; falta de programas sociais relevantes para a população jovem; falta de projetos no sistema de proteção integral de crianças e adolescentes. Péssimo sistema de saúde pública. Educação, sem avanços, linear. O Topa, dissociado da realidade entre os números apresentados pelo governo e pelo MEC. Incapacidade em negociar nos momentos de crise, greves, com as categorias da educação e da Polícia Militar, além de não cumprir acordos com as mesmas. A maioria das obras existentes no estado tem o carimbo do Governo Federal.

2. Como a senhora avalia a política de cultura no estado, sobretudo ligado ao audiovisual? Como o seu mandato pode contribuir para ampliar a produção e acesso a bens culturais, e o reconhecimento da cultura como modo de vida?

Em relação ao audiovisual, houve uma expansão do cinema baiano, através da parceria com o Programa Brasil de Todas as Telas; foram lançados editais da Agência Nacional do Cinema (Ancine), em parceria com o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia – Irdeb/Secretaria de Comunicação da Bahia e com a Fundação Gregório de Mattos/Prefeitura de Salvador, para fomento da produção audiovisual baiana na televisão. Houve investimentos para o estado e para o município.

Nossa Bahia é pátria da diversidade cultural, uma das mais ricas do Brasil, com grande acervo de obras, mas avalio que sua história ainda é pouco conhecida pela população baiana. Quanto ao acesso aos bens culturais, houve pouco investimento, pouco estímulo para a população interagir como agenda cultural. A história e a cultura do povo negro precisam ser revitalizadas, com identidade e representatividade, precisam ser contadas nos livros, precisam ser contadas aos alunos, ao povo, nas praças, essa é a nossa história.

Pontos de leituras, bibliotecas aliadas ao investimento cultural inexistem. Existem pautas com visitas aos museus? Pontos de cultura? Que tal revitalização de praças em todos os bairros, aliada ao esporte? Praças com contadores de nossa história? Com artes e poesias? Som de violão e atabaques? Com pinturas e acrobacias? Temos muito a ressignificar a cultura do nosso estado e proporcionar lazer e mais qualidade de vida à população.

3. As relações partidárias costumam ser previsíveis, com partidos de oposição votando contra o Governo e os de situação votando a favor, mesmo que determinado voto contradiga a história política do parlamentar. A senhora pretende agir com independência ou seguir a orientação partidária nas votações? Qual o limite da sua autonomia em relação ao seu partido?

Me identifico com a Nova Política, com uma visão de mundo baseada nos valores éticos, na transparência pública e na ética da política. Tenho compromisso político com meu Brasil, com minha querida Bahia, na perspectiva de efetivar mudanças políticas necessárias para democratizar a democracia. Portanto, seguirei a orientação do meu partido sempre que houver a coerência política com o programa apresentado à sociedade e com os projetos que tenham compromissos em garantir os direitos da população e o desenvolvimento sustentável da Bahia.

4. Como a senhora avalia a política de acessibilidade no estado e quais suas propostas para garantir os direitos das pessoas com deficiência?

A política de acessibilidade no estado da Bahia é muito deficitária e precária, tanto para a pessoa com deficiência, como a mobilidade reduzida. Não há segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, equipamentos urbanos, edificações, serviços de transporte, meios de comunicação e informação.

Em abril deste ano houve um encontro internacional, em Salvador, um debate mais aprofundado sobre as questões relativas à acessibilidade e mobilidade nos centros históricos e suas possíveis soluções. Uma discussão que espero resultados efetivos e políticas eficazes, para garantir o direito de ir e vir de qualquer cidadão.

Estando como deputada estadual, lutarei pela presença de intérprete na ALBA, pois pessoas com deficiência auditiva hoje, têm o direito violado, e não interagem com o debate público, nos plenários de discussão e votação.

No que se refere à educação, o Brasil é signatário da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência nas Nações Unidas, mas ainda infringe o direito de 22% da população em idade escolar, com algum tipo de deficiência, estar matriculado na rede de ensino. Esta será uma ação prioritária do mandato, analisar o número de pessoas, na Bahia, que fazem parte desta estatística e tornar o estado responsável pela inclusão dos mesmos, para que todos possam usufruir dos seus direitos fundamentais e se tornem protagonistas de suas vidas.

Atualmente, a capital baiana possui 6.996 táxis comuns e outros 240 especiais. Há um decreto municipal em andamento para aumentar este número para 5% da frota. Ampliaremos este debate sobre os transportes especiais, para garantir mais qualidade de vida para esta população. O mandato estará atento ao debate nestas perspectivas, com responsabilidade social para o enfrentamento às violações dos direitos dos cidadãos.

5. Os empreendimentos de Economia Solidária se queixam da burocracia para a formalização e da alta carga tributára, muitas vezes, superior a de empresas privadas. A senhora defende uma flexibilização nas leis de formalização desses grupos e isenção ou redução fiscal?

A aprovação da Lei Estadual de Economia Solidária foi um avanço do setor, mas ainda há muito a fazer na perspectiva das políticas voltadas para esta questão. As empresas brasileiras não só pagam muitos impostos, como também gastam muitos recursos para cumprir suas obrigações fiscais. Os empreendimentos da economia solidária precisam sim de flexibilização nas leis, isenção de ICMS, simplificação de impostos e a garantia que o PNAE, no âmbito do estado, seja executado, ao menos os 30% previstos em lei para a Economia Solidária.

É fundamental investir na criação de armazéns regionais da Agricultura Familiar e Economia Solidária, gerido pela sociedade civil, para facilitar a comercialização em rede. São ações que já estão em debate, que precisam simplificar a estrutura tributária, reduzindo o número de impostos e tornando os processos menos burocráticos; fundamental debater a implementação e fomento de mais bancos comunitários para implementar projetos e ativar a economia solidária. Meu mandato vai incentivar e fomentar a implementação de cooperativas para impulsionar o desenvolvimento econômico nas comunidades.

6. É a favor ou contra leis que combatam à homofobia?

No Artigo 1˚ da Declaração Universal dos Direitos Humanos reza que: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação a uns e aos outros com espírito de fraternidade”. Portanto, se há violação de algum direito, é preciso ter instrumentos a serviço da defesa e garantir os direitos humanos para todos os cidadãos. Sim, sou a favor de leis que combatam a homofobia e que estejam estrategicamente explicitadas na promoção e na proteção de direitos humanos, de todos os grupos vulnerabilizados, na realização dos seus direitos humanos.

7. Como enxerga a segurança pública do estado? Como se posiciona em relação à violência policial e a ações como a do caso Geovane?

A Bahia é o 5º estado mais desigual e tem 4,5 milhões sem ensino básico, segundo o IBGE/2012. Esse cenário reforça a presença de um estado indutor de violência, marcado pela exclusão e grandes desigualdades sociais. As vítimas de homicídios são, na sua maioria, os jovens, negros e de menor renda. A violência policial no caso “Geovane” foi mais uma demonstração da brutalidade e incapacidade da polícia em lidar com abordagens responsáveis e com humanização, pois, independente de qualquer delito cometido, a pessoa tem direito à vida. O artigo 3˚ da declaração dos Direitos Humanos afirma que “Todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”.

O governo estadual precisa sincronizar estratégias de prevenção à intervenção qualificada, para, em primeiro lugar, proteger o cidadão. Queremos uma segurança pública estruturada, com foco em ações responsáveis de inteligência, informação e tecnologia. A violência policial, inevitavelmente, gera as mais graves violações aos direitos humanos e à cidadania, que são elementos inerentes ao regime democrático.

8. Em uma eventual disputa por áreas entre indígenas e produtores rurais, como a que ocorre em Buerarema, de que lado a senhora se posicionaria? Como enxerga essas disputas?

Os povos indígenas são as nossas maiores riquezas e merecem toda a atenção dos poderes públicos. A constituição brasileira prevê a garantia dos territórios dos povos indígenas, mas isso ainda não ocorreu totalmente. A questão não é estar ao lado de um ou do outro, mas o fundamental é solucionar os problemas de forma estrutural, numa perspectiva a contemplar os direitos de ambas as partes.

Evidente que o conflito existente em Buerarema e em qualquer outro local é uma disputa que desagrega a convivência entre os produtores rurais, a comunidade e os índios; a violência não é saudável para nenhuma das partes, mas a disputa não será resolvida, se não houver uma intervenção com mecanismos de gestão de conflitos, que venha finalizar a demarcação das terras indígenas.

A garantia dos povos e comunidades tradicionais deve estar vinculada ao respeito às diferentes manifestações culturais e formas de viver, associada ao direito à terra e territórios. Portanto, o cenário requer mais gestão e força política para enfrentar os conflitos.

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